O Bloco de Esquerda (BE) acusou hoje o PSD de, quando esteve no Governo com o CDS-PP, ter apagado com uma “borracha” as políticas sociais que agora o executivo apoiado pelo BE está a tentar reconstruir.

“O PSD, enquanto esteve no Governo, redesenhou as políticas sociais com uma borracha, apagando-as. Nós estamos a tentar construir a destruição que o PSD e CDS-PP deixaram no Estado Social e nas políticas sociais”, declarou hoje à tarde a líder bloquista, Catarina Martins, à margem de uma arruada na marginal de Espinho.

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, disse no sábado que o seu partido estava a trabalhar num “redesenho das políticas sociais” com o objetivo de combater “perversões” que existem na Educação, Saúde ou na área Social.

“A nossa ambição, o nosso propósito (…) é muito claro. Nós queremos, nos próximos meses, poder de uma forma que pode não ter, digamos, um reflexo muito grande (…), mas iremos multiplicar as ocasiões e as formas de poder interagir com pessoas, profissionais, académicos, que nos ajudem a redesenhar estas políticas sociais”, declarou Pedro Passos Coelho, no Porto, durante o “1º Fórum de Políticas Sociais: Educação, Saúde e Segurança Social”.

Passos Coelho afirmou que aquela iniciativa servia para as pessoas conhecerem as “escolhas que vão fazer” e “quais são as políticas que estão associadas a cada partido e cada iniciativa política”.

Questionada pelos jornalistas para comentar as intenções anunciadas pelo líder do PSD, Catarina Martins reconheceu que era “preciso mudar muita coisa” e que ainda havia “muita injustiça e desigualdade” em Portugal, mas garantiu que não é precisa a “colaboração do PSD para redesenhar políticas sociais”.

“Não precisamos da colaboração do PSD para redesenhar políticas sociais, porque essa foi sempre e só acabar com políticas sociais, aumentar injustiça e desigualdade e o nosso caminho é o inverso”, disse.

BE quer que UE reveja posição e não pactue com Erdogan

A porta-voz do BE, Catarina Martins, defendeu também que a União Europeia deve rever a sua posição com a Turquia e não pactuar com a liquidação da oposição e concentração de poderes do presidente turco.

“Julgo que o que era pedido à União Europeia era que revisse a sua posição para com a Turquia. A defesa que há a fazer neste momento é a defesa da Democracia e não pactuarmos nem pelo silêncio, nem com o que Erdogan está a fazer para concentrar poderes e liquidar a oposição”, declarou.

A líder do BE classifica a situação na Turquia muito preocupante: “Nós tivemos em 48 horas dois golpes de Estado, ou seja, em dois dias a Turquia viveu dois golpes de Estado. Um mal sucedido e um bem-sucedido que está em curso com o presidente Erdogan a concentrar poderes, demitiu mais de 2.800 juízes, está a prender opositores que não têm nenhuma relação com o golpe e condenaram o golpe de 15 de julho desde o primeiro momento e está a ultrapassar todas as regras de alguma réstia de democracia na Turquia e portanto o que está a acontecer na Turquia é muito preocupante”, referiu.

Catarina Martins considera que a União Europeia não pode continuar a olhar para o presidente Erdogan como um parceiro.

“Que a União Europeia continue a olhar para Erdogan e para a Turquia de Erdogan como um parceiro é ainda mais preocupante, tanto mais que sabemos que a União Europeia tem acordos com a Turquia, que está a financiar em milhares de milhões de euros o Estado turco para reter refugiados numa situação em que não há neste momento democracia, há só perseguição, demissões”.

Catarina Martins sublinhou que o BE não alinha por nenhum golpe de Estado.

“Nenhum golpe de Estado faz sentido. O BE defende a democracia, não defende golpes de Estado, aliás é preciso dizer que a oposição moderada turca está contra os dois golpes de Estado e que tanto um como outro são de forças fanáticas antidemocráticas e mesmo com traços protofascistas na Turquia. Nunca o BE defenderia nenhum dos lados que querem acabar com a democracia. O que é preciso sim é defender a democracia”, concluiu a bloquista.