É possível fazer bom dinheiro no sector privado sem fins lucrativos? Haverão privilégios entre aqueles mandatados para dar respostas aos desafios sociais dos menos privilegiados? Existirão casos de “apropriação indevida de donativos” (como transcreve o Expresso) que escapam aos serviços de monitorização normais do Ministério da Segurança Social?

De acordo com o caso da semana, refletido no Barómetro, a resposta é: sim.

O tema teve a maior quota de mercado do destaque mediático da semana, e continuava a aumentar com o arrastar-se dos dias. Com origem numa reportagem da TVI, entrou num crescendo envolvendo rapidamente o governo. As referências ao poder político tornaram-se cada vez mais frequentes. Um Secretário de Estado tombado, um Ministro sob pressão, um Primeiro à distância, e um Presidente incomodado.

Não se deve confundir o Raríssimo com o Frequentíssimo. Mas, é bem possível que haja aqui uma questão maior do que apenas uma situação de exceção.

O aumento do Estado Social tem disto: o aumento do para-Estado Social. O aumento da ideologia do mercado tem disto: a produção do altruísmo também tem preço. A ênfase no profissionalismo e na eficiência e no marketing-espetáculo tem disto: a emergência do empreendedorismo, da liderança visionária, o triunfo dos incentivos. A necessidade de cada vez mais controlos tem disto: aumento da complexidade da averiguação, dos custos de supervisão, da dificuldade da fiscalização.

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 411 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.