O tema que maior destaque teve nesta semana, com mais de 50% de todas as peças inventariadas pelo Barómetro, foi a tragédia de Pedrogão. E percebe-se facilmente o seguinte: um problema como os dos incêndios deste verão não é um problema localizado na temática florestal, é um quebra-cabeças multisetorial.

O principal terreno em que se tem movimentado a cobertura mediática é o político. Por exemplo, o “Jornal de Negócios” de 30 junho apanhava um conjunto de políticos, desde o atual PM (“com passado na tutela”), à atual ministra da administração interna (“da fraqueza emocional à ‘guerra’ dentro de casa”). Mas ia mais atrás, até Daniel Sanches, o ministro do governo de Santana Lopes que adjudicou o SIRESP, quando estava já em gestão, a interesses associados à SLN (onde tinha estado antes e para onde depois voltou), e também Assunção Cristas (que acabou com a Secretaria de Estado das Florestas e que lançou a “liberalização do eucalipto”).

Sem dúvida, o SIRESP aparece como segundo eixo noticioso, pelas suas falhas operacionais mas também pelos nexos nebulosos de mais uma “parceria público-privada”.

No país em que não se queria ver o fumo negro do maior incêndio florestal de sempre, quer-se agora ver o “fumo branco” do apuramento de responsabilidades.

 

 

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS