O fórum de ministros das Finanças da zona euro elegeu à segunda volta, na segunda-feira, em Bruxelas, Mário Centeno como presidente do Eurogrupo.

Sendo o cargo cumulável com a continuação do seu mandato no governo português, haverá mais um Centeno na Europa, e nenhum Centeno a menos em Portugal. E foi isso que auspiciou Marcelo Rebelo de Sousa ao manifestar a sua ‘alegria’ por esta eleição, mas também ao insistir que o Ministro das Finanças mantenha o percurso começado, por aqui, até ao final da legislatura.

Criticado muitas vezes pelo próprio partido do Presidente, é o mesmo tal percurso a estar na base desta eleição e do entusiasmo de muitos europeus. Definido como o ‘Ronaldo das Finanças’, o ‘Super Mário salva euro’ (Expresso, 5 de dezembro 2017), o Financial Times falou de uma revolução no Eurogrupo e da vitória contra as políticas de austeridade (FT, 5 dezembro 2017).

Austeridade, uma palavra que pouco tem a ver com o verdadeiro Ronaldo e com o futebol em geral. É notícia das últimas horas que o Centeno do futebol recebeu a quinta Bola de Ouro da sua carreira, igualando o record até agora detido por Messi. E se esta notícia ainda não faz parte do barómetro da semana, o futebol conquista mesmo assim a segunda posição também graças à Liga dos Campeões. Ao qualificar-se para os oitavos de final o FC Porto encaixou mais 7,5 milhões de euros, num total de 23,7 milhões até ao momento, nesta edição.

A austeridade já vai para a história. Palavra do ano em 2015, em 2017 é o termo populismo a ganhar. E o populismo ganha também a terceira posição do barómetro, com o anúncio de Donald Trump de mudar a embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém. Uma decisão criticada quase unanimemente pela comunidade internacional e cujas consequências são imprevisíveis. E isso faz surgir não poucas preocupações sobre qual poderá ser a palavra do ano de 2018.

 

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 411 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.