O orçamento de estado para 2018 – discutido no parlamento proposta a proposta, linha a linha, tem alguns aspetos que merecem ser realçados. A mais ouvida, pelo impacto mediático que teve nas últimas horas, é a de que os subsídios de Natal e Férias de todos os trabalhadores – públicos e privados – deixam de ser pagos em duodécimos. Ganhamos mais dois salários de uma vez, ganhamos menos em cada mês. As opiniões dividem-se, como sempre. A esquerda uniu-se para garantir o aumento da derrama de IRC sobre as empresas com maiores lucros, bandeira há muito anunciada; os estudantes menores de idade vão ter desconto no passe social e assume-se o congelamento das propinas nas Universidades. Hoje há mais.

Os especialistas, sentados nos seus gabinetes em Bruxelas, já vieram avisar que se estão a subestimar custos, nomeadamente com os salários da Função Pública e antecipam despesas de mais 385 milhões de euros que aquelas que Centeno apresenta no OE. Neste valor não estão ainda contabilizados os possíveis futuros encargos que se abrem nas negociações com os professores a propósito do descongelamento das carreiras. Também aqui, se devem aguardar os muito próximos desenvolvimentos. Todavia, esta é uma questão quente, que apela às emoções, à divisão entre esquerda e direita, entre público e privado, entre “classes”, tanto é que foi a que mereceu maior número de destaques noticiosos na semana que hoje termina.

O Presidente da República já veio avisar que a “a sensatez orçamental é fundamental” em vários domínios, nomeadamente “na concertação social, não trocando a ilusão mirífica de um instante por aquilo que é estruturante e consistente”.

O segundo tema com mais destaques noticiosos foi o da seca que se vive em Portugal. Ainda ontem, numa visita à Marinha Grande que clama que o “Pinhal de Leiria” se deverá passar a chamar “Pinhal do Rei” para evitar as habituais confusões sobre a sua localização – que é na Marinha e não em Leiria... algo que nem os media nacionais sabiam aquando do grande incêndio que lavrou neste histórico local – ouvi a Presidente da Câmara local pedir que levemos sorrisos. A população está triste, pessimista, pede (como Portugal inteiro) chuva – e, curioso, enquanto escrevo, lá fora agora chove... pode ser que perdure – vi milhares de pequenos pinheiros prontos a ser plantados mas, “para as próximas gerações”. 

O futebol, que continua a “animar a malta” ou, pelo menos, alguns, voltou a garantir um dos primeiros lugares na tabela. Porto, Sporting e Braga vão continuar a representar Portugal lá fora, com o primeiro com boas hipóteses de se manter na champions. Com o Guimarães, as coisas estão complicadas. Complicada mesmo é a situação do Benfica que consegue o feito de ser o primeiro cabeça de série da história da champions com 0 (sim, zero) pontos ao final da 5ª jornada. Pela Luz vivem-se momentos de alguma angústia. Antes destes jogos, já muito se falava da situação do futebol, com os 3 maiores clubes portugueses a insistir não ser um exemplo e os árbitros a ameaçar com uma greve mas depois a recuarem. E, claro, esta história não chegou ao fim.

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 411 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.