Os dados da PORDATA com respeito a 2015 mostram que Portugal, é o país europeu com a maior superfície de área ardida por 100 mil km2 na Europa. No primeiro semestre de 2017, sem ainda incluir dados sobre o incêndio de Pedrogão Grande, a área ardida já é de 12 vezes superior à do ano passado. 

Face a esta situação assustadora, no centro da atenção parece estar sobretudo a forma como falar dos incêndios aos cidadãos, com as novas regras divulgadas pela ANPC que limitam amplamente a possibilidade, aos comandantes dos bombeiros in loco, de falar com a comunicação social, função que seria centralizada pela própria ANPC. 

A questão da comunicação em caso de incêndios – através dos media e outros meios – é delicada, como evidenciaram as polémicas em volta das alegadas falhas do SIRESP no desastre de Pedrogão Grande e no mais recente incêndio na Guarda. Assim, esta decisão ‘ardida’ está a levantar polémica por parte dos partidos de oposição e sobretudo das associações de bombeiros.

A comunicação social está ainda presente na terceira posição do barómetro, com a compra da Media Capital por parte da multinacional holandesa Altice, uma operação que Jerónimo de Sousa, numa inédita intervenção enquanto defensor da livre concorrência, definiu como uma ‘concentração monopolista’.

Fogos e comunicação puxaram assim o futebol para a quarta posição do barómetro, e as polémicas declarações do candidato PSD André Ventura sobre a comunidade cigana de Loures para a quinta. Difícil averiguar o embate eleitoral destas declarações, mas é de assinalar que, na arena política portuguesa, não é comum este tipo de discurso populista que alastrou a Europa nos últimos anos. Será talvez preciso estar alerta também para com este tipo de incêndios.

 

 

Ficha técnica

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 411 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.