O principal destaque noticioso da semana, responsável por um quarto das notícias, foi a questão dos atentados e a insegurança vigente. Ainda há 15 dias, em Manchester, um concerto de Ariana Grande acabou em tragédia. Sábado passado, em Londres, um atentado também reivindicado pelo Estado Islâmico derramou o terror na London Bridge e na área circundante, mas, sobretudo, é o mundo que se transforma e se amedronta perante aquilo que alguns teimam em chamar de “novo normal”.

Não nos podemos deixar atemorizar. Não podemos assumir e passar a mensagem aos nossos filhos que a morte gratuita de inocentes é, seja em que contexto for, aceitável e, eventualmente, banal. Temos que lutar contra o medo, contra o terror. É essa a mensagem que, individualmente, devemos gritar para dentro de nós e para os outros. Também a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, afirmou que “enough is enough”. Sobre o papel do digital na disseminação da informação, Google, Twitter e Facebook fizeram saber que estão dispostos a tornarem-se atores proativos desta guerra contra a guerra e a proclamarem-se como terreno muito pouco amigável para aqueles que alimentam o terror. A ver vamos.

Hoje mesmo, Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia, diz que o “lobby da energia é um dos mais fortes que temos em Portugal”. Talvez por isso, a surpresa de ver António Mexia envolvido em mais um caso relacionado com crime económico e financeiro. A ninguém espanta a velocidade com que estes casos aparecem no nosso rectângulo à beira mar plantado, mas há sectores em que se pensa que o protecionismo se coloca ainda muito para além da prática concorrencial.

A novela já vai longa, começou já na 6ª feira passada, com buscas da PJ e do Ministério Público. Mas parece que a procissão ainda vai no adro. Vão-se conhecendo nomes – o de António Mexia é o mais sonante - mas o atual Presidente do Conselho de Administração do Novo Banco está já constituído (pasme-se... mas atenção, podemos descansar pois o Banco de Portugal diz estar a analisar a situação), bem como outros ex-administradores da EDP.

No entanto, quem pensasse que António Mexia ficaria cautelosamente à espera dos próximos episódios da novela enganou-se. Promete processar quem fez a queixa e tem como apoiante incondicional Eduardo Catroga, que afirma que “não se brinca com empresas cotadas”... seja lá o que isto significa!! Entretanto, as ações da EDP responderam positivamente à conferência de imprensa de Mexia e subiram.

Sobre futebol, reforce-se o facto de permanecer no top 3 dos destaques noticiosos da semana. O tema gera paixões, o país envolve-se e os meios de comunicação social fazem o seu trabalho. Esta semana jogou-se a final da Champions, o Real Madrid ganhou à Juventus por 4-1 e nós também, em parte, pois o “nosso” Ronaldo é o capitão da equipa e marcou 2 golos pondo o Santiago Bernabéu em êxtase total na receção aos campeões.

As eleições no Reino Unido foram ontem mas, pela sua importância, subiram ao 4º lugar dos destaques noticiosos da semana. Theresa May ganhou mas com uma vitória que sabe a amarga derrota. Muitos exigem já que se demita. A atual primeira-ministra tinha como grande objectivo reforçar a sua maioria e o que aconteceu foi que a perdeu. Pior era difícil.

 

 

 

Ficha técnica

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 411 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.