África está algures num ponto de inflexão de ciclo. Note-se: não tem necessariamente de ser uma mudança da tendência. É mudança no Zimbabué, é turbulência na África do Sul, é transição em Angola.

Mas todas estas alterações para quê?! Ainda não se sabe!!! É ainda demasiado cedo para se perceber se o que está a acontecer é verdadeiramente transformador. O mais certo é que os altos e baixos continuarão a suceder-se.

A África subsariana continua no fundo da lista dos países africanos, e por essa geografia não tem passado a recuperação significativa, expressiva e sincronizada do crescimento económico mundial.

Mas se, por um lado África não sobe nas notícias económicas, por outro é uma certeza consomada que tem subido nas notícias políticas. Em Portugal tem subido até atingir o pódio nesta semana apesar de forte concorrência de outros tópicos, por exemplo: Lula da Silva, violência doméstica ou ainda a poluição no Tejo.

Em Portugal o ocasional pontiagudo tema Angolano tem os ingredientes do costume (note-se a ausência de novidade, portanto!): altas individualidades do regime Angolano detentores de quantidades massivas e não-explicadas, operadores portugueses transitando trás-para-a-frente/através-das-fronteiras entre os sectores privado/público e entre os sistemas financeiros dos dois países, e os sempre perenes facilitadores jurídico-económicos da praxe.

Mas tiremos o nosso violino da mala: deveria haver mais cooperação entre as instituições luso-angolanas. Mas tiremos o trombone do saco: certamente tem havido tanta corrupção para triturar em tribunal que o sistema prisional de um só país não conseguiria processar essa clientela toda caso as justas consequências fossem tiradas. Haja dia! Haja a cooperação que interessa.

 

 

 

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Sofia Barrocas e Inês Balixa. Apoios: IPPS-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.