Vão haver mais fogos. O primeiro-ministro teve razão quando o disse. Isto é verdade por duas razões: 1. a floresta portuguesa (ao contrário da Nórdica) é tipicamente sujeita a (precisa de) fogos; 2. A mudança climática está a evidenciar-se por via das condições que se geram para eventos extremos de impacto elevado de um modo cada vez mais dessazonalizado.

O que diz a líder do CDS-PP (não confundir com “líder da oposição”) foi o seguinte: "Quando fui ministra não aconteceu nenhuma tragédia com estas proporções." Por isso, e também pelo mérito do Terramoto de 1755 não ter ocorrido durante o seu consolado, justifica-se que esta senhora seja agraciada com a grande comenda da ordem da Falácia e Desfaçatez.

Assim, entre factos e ficções está a praça pública. Com isto consumiu-se metade dos destaques mediáticos da semana.

É preciso mais ciência e tecnologia na gestão florestal e na governação do território. Menos informalidade na monitorização dos riscos em Portugal. Mais compromisso a todos os níveis dos recursos da segurança interna e mais envolvimento das capacidades de defesa nacional.

E perante gigantes falhas de mercado, a única solução é mesmo haver… Mais Estado e Melhor Estado.

E perante a necessidade do envolvimento coletivo e orgânico das populações é preciso mais coordenação descentralizada na gestão dos bens comuns.

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 411 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.