Nos últimos anos, as vicissitudes legais de José Sócrates entraram e saíram do barómetro de notícias com uma cadência regular. Entretanto, a posição do seu partido face a esta situação – assim como a posição dele no seu partido – nunca foi particularmente discutida, nem posta em discussão.

Na iminência do congresso do PS e com as eleições a se aproximarem, esta posição, pela primeira vez, sofreu uma quebra. A abrir a brecha foram as declarações de Carlos César que se disse ‘envergonhado’ com as suspeitas sobre Manuel Pinho, e ainda mais com o processo de Sócrates. A dilatar esta brecha contribuíram as palavras de Fernando Medina, de Santos Silva, e de João Galamba. Mas foi sobretudo a intervenção de António Costa a fazer precipitar a situação. Percebida como cartão vermelho definitivo – e não por parte do árbitro, mas sim pela sua própria equipa – foi logo depois que José Sócrates anunciou deixar o partido.

No futebol também houve sobe e desce. O Benfica passou de quase ‘pentacampeão’ para quase fora da Liga dos Campeões em apenas quatro jornadas, enquanto o FC Porto festejou a conquista do título ‘no sofá’, como muitos jornais titularam. Uma saída de jogo afetou também uma instituição cujo bom funcionamento, com a estação dos incêndios a se aproximar, é de vital importância para o país. Talvez por isso, a demissão do coronel António Paixão do cargo de comandante da Proteção Civil ocupa a quarta posição.

Enfim, a entrevista conjunta do Presidente da República à Rádio Renascença e jornal Público contribuiu para trazer para o barómetro muitos assuntos em cadeia. Em primeiro lugar, o Orçamento do Estado (OE) para 2019. A ‘ameaça’, por parte de Marcelo, de eleições antecipadas caso o OE não seja aprovado é considerada uma ‘bomba’ para o comentador da Rádio Renascença Jacinto Lucas Pires, que vê o presidente a posicionar-se ao ‘centro do regime político’. Mas, de facto, é o próprio sistema político português a prever este papel do chefe do estado ao centro do jogo, e era de prever que um árbitro como Marcelo não recuasse perante esta oportunidade. 

 

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Sofia Barrocas e Inês Balixa. Apoios: IPPS-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.