Internamente mais uma vez é o Futebol nos píncaros: o mais constante dos 3 “éfes”, já que “Fátima” é sazonal e o Festival (da Canção!) só anual. Mas o futebol não chega ao topo só por questões desportivas, mas por temas transacionais: trocas de treinadores, mercado de transferências de jogadores. Qualquer dia o “F” de futebol é essencialmente “F” de finança! O futebol é uma espécie de mancha de óleo comercial, alastra a imensas esferas: jogatana especulativa, patrocínios, dívidas à banca, etc., etc.

A nível internacional as notícias são bastante abrasivas. Trump e terrorismo já apareciam no top 10 à medida que a semana se desenrolava. Porém, os derradeiros dias da semana levaram esses temas ao clímax.

Em termos de terrorismo estamos como estávamos: explosões no Afeganistão e no Iraque, esses grandes legados na política externa militarizada dos EUA. Mas a violência em Manila, que provocou mais de 35 vítimas, dilatou ainda mais este assunto mediático. Embora os media tenham dito que foi num “resort turístico”, o palco foi um casino. É se não foi terrorismo, poderá ter sido um jogador perdedor a desencadear uma ação tresloucada. Nesse cenário estamos perante patologias de jogo, uma questão demasiado pouco abordada (mesmo entre nós há mais gente dependente do jogo do que se imagina).

Finalmente temos mais um Trumpismo: à custa de mais umas cotoveladas, o Presidente dos EUA lá subiu mais uma vez ao pódio. Mandou o Acordo de Paris para o lixo. Lá está: os EUA como “Estado pária”, o modo como o resto do mundo atualmente vê esta potência. Não admira portanto que a Alemanha tenha tocado a trombeta: o entendimento pós-Segunda Guerra Mundial acabou, os EUA não são confiáveis e o Reino Unido desamarrou-se do continente Europeu. Eis uma nova era. Vinde (só) a nós as criancinhas europeias.

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Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 411 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.