Ao fim de vários meses sem chover, com agricultores a prever situações desesperadas no curto prazo, sente-se finalmente o cheiro a terra molhada. Ainda não é suficiente, em Março terá que chover acima da média para podermos dizer que saímos do clima de seca que se faz sentir. O mar está revolto – na zona de Lisboa era, ontem, de grande perigo a condução na Marginal, embora fossem muito os curiosos (e irresponsáveis?) a tirar fotografias à cólera marítima. E, também por isto, o tempo parece esgotar as atenções da atualidade. O que se vive na Síria merece menos de metade dos destaques noticiosos. Estranho mundo aquele em que vivemos...

Sobre a Síria, há oito dias atrás, António Guterres pediu a “suspensão imediata” de todas as atividades de guerra de Ghouta Oriental. Embora seja passado, é de referir que, segundo a Rede Síria para os Direitos Humanos, em 2017 morreram mais de 10.000 civis neste país. E, destes, mais de 2000 eram crianças. Crianças! Isto é passado mas, nos últimos dias, morreram mais algumas centenas. O pedido do secretário-geral da ONU não foi ouvido. E, de repente, a morte parece banal, embora esteja à distância de um écran de televisão, de um virar de página num jornal.

Sobre futebol, prevalece a atenção sobre o jogo de hoje, entre Sporting e F.C. Porto. O primeiro viaja até às Antas onde tudo fará para se manter na luta pelo campeonato nacional. Num contexto em que está, neste momento, a 5 pontos do líder – exatamente, o Porto – um cenário de derrota afastará os leões, definitivamente, deste objetivo. Por isso mesmo, já hoje, o clube de Alvalade interpôs um recurso para garantir que Gelson Martins possa ainda fazer parte da equipa titular... Veremos o resultado.

Em quarto lugar aparecem as questões laborais. Com médicos, enfermeiros, professores na ordem do dia, associando vínculos precários com contratações ilegais, a qualidade do emprego em Portugal marca também, a agenda desta semana. Quase a par, aparece a eleição de Fernando Negrão para a liderança da bancada do PSD em que, ainda a procurar organizar-se e procurar consensos dentro de casa, estreou-se no combate – sempre difícil – com o primeiro-ministro.

 

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Sofia Barrocas e Inês Balixa. Apoios: IPPS-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.