O presidente do grupo parlamentar do PCP, Bernardino Soares, defendeu esta terça-feira que a banca pública deveria ser maioritária em Portugal e ter «um real efeito» na dinamização da economia.

Em declarações aos jornalistas em Viseu, Bernardino Soares afirmou que, quer em períodos de crise, quer fora deles, «a importância de o Estado ter alavancas essenciais na banca é decisiva», escreve a Lusa.

«Nós precisamos de uma banca que não se limite a ter máximos lucros como acontece com a generalidade dos bancos, mas que tenha como principal função, para além da sua sustentabilidade, o apoio às famílias, às Pequenas e Médias Empresas e um real efeito na dinamização da economia», sublinhou.

O deputado comunista lamentou que, apesar de nos últimos meses ter recebido «muitos milhões de euros de lucros», a banca esteja «a cobrar spreads altíssimos aos pequenos e médios empresários, muito superiores àquilo que são as taxas de referência».

Por outro lado, «está a penalizar ainda nos novos contratos aqueles que acedem aos empréstimos para habitação», acrescentou.

«O que podemos concluir é que, afinal, os milhões de euros que todos nós, os contribuintes, o Estado português injectou na banca, não estão a servir para ajudar o país, estão apenas a servir para ajudar os accionistas que tanto lucraram nos últimos anos e continuam a lucrar», criticou.

Durante o périplo que os deputados do PCP estão a fazer pelo país, Bernardino Soares, diz que encontraram «grandes dificuldades da população, uma grande revolta contra a política que está a ser seguida, porque há hoje cada vez mais a consciência de que os sacrifícios não são para todos e que a crise não afecta a todos da mesma maneira», rematou.