A administração do Banco Privado Português (BPP) considera que o banco não tem futuro sem uma solução para os clientes com produtos de retorno absoluto, disse esta segunda-feira a agência Lusa fonte oficial da instituição.

«Estamos conscientes, e acreditamos que os clientes também, de que a resolução dos problemas dos clientes com produtos de retorno absoluto é decisiva (...) se estes não aceitarem, a administração considera que o futuro é negro para os clientes e para todos», afirmou a mesma fonte.

A administração responde assim à questão de quais são as perspectivas para o BPP caso não seja aceite a solução que está a ser estudada, da criação de um fundo, constituído pelos activos que pertencem aos clientes com produtos de retorno absoluto.

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A criação do fundo, com activos dos clientes compostos por obrigações e derivados de obrigações, «é o cenário que está em cima da mesa e o que melhor serve os interesses dos clientes», sublinhou a mesma fonte em declarações à agência Lusa, isto depois de o cenário considerado «ideal» proposto pela administração ter sido rejeitado pelo Ministério das Finanças.

Esta solução está a ser explicada individualmente em reuniões com os clientes, que têm decorrido diariamente, à razão de quase uma dezena por dia, citando apenas aquelas que envolvem membros do Conselho de Administração, e também em reuniões com representantes da associação Privado Clientes.

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Recorde-se que no início de Dezembro, face a uma situação extrema de falta de liquidez do banco fundado e até então gerido por João Rendeiro, o Banco de Portugal nomeou uma administração provisória, presidida por Fernando Adão da Fonseca, para avaliar a situação e tentar um plano de saneamento.

Foram injectados no banco 450 milhões de euros, através de um empréstimo bancário concedido por seis outros bancos com garantia do Estado, que serviram para fazer face a responsabilidades inscritas no balanço, sobretudo os depósitos.

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Foi já depois da avaliação feita pela nova equipa, e vindos a público muitos casos dos clientes a quem foram vendidos produtos de retorno absoluto mas para os quais os antigos gestores do banco não fizeram as obrigatórias provisões, que o Banco de Portugal interveio novamente.

O supervisor, «no contexto de um processo de Contra-Ordenação em curso por irregularidades graves praticadas no BPP em período anterior a 02 de Dezembro de 2008», data da nomeação dos quatro administradores provisórios, suspendeu em Fevereiro os seis administradores que tinham ficado da anterior gestão, ou seja Paulo Guichard, Salvador Fezas Vital, Fernando Lima, Paulo Lopes, Vítor Castanheira e Guilherme Portela Santos.

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O montante do fundo que está a ser estudado como solução para salvar os activos dos clientes com produtos de retorno absoluto corresponderia ao montante global do valor dos activos referidos, que somam cerca de 1,2 mil milhões de euros, sendo a entidade gestora seria externa ao banco e a designar pelos clientes.