A nacionalização da Banca foi há 40 anos. Na fase mais turbulenta do processo revolucionário, os banqueiros foram presos e os bancos tomados pelos sindicatos. Quando voltaram a abrir portas, já eram instituições do Estado.
 
Foi a resposta do Movimento das Forças Armadas à tentativa de golpe de estado do General Spínola, a 11 de Março de 1975.

Três dias depois, a 14 de Março, o Presidente da República Costa Gomes anuncia «a lei mais revolucionária alguma vez promulgada em Portugal».

Jornais destacam o processo das nacionalizações

Milhares de pessoas saíram à rua para festejar. «O que me lembro é do sorriso aberto das pessoas», recorda Anselmo dias, Presidente do Sindicato dos Bancários em 1975.


Manifestação do Sindicato dos Bancários a 14 de Março de 1975 

Nenhum partido político se levantou contra a passagem de todos os bancos nacionais para as mãos do Estado. José Silva Lopes, o Ministro das Finanças que tinha sugerido apenas uma intervenção temporária, acaba por aderir à ideia da nacionalização.
 
«Foi a primeira fase de um ataque a quase tudo o que fossem empresas de uma certa dimensão», lembra Pedro Ferraz da Costa, antigo Presidente da CIP.
 
No final do PREC, o Estado tinha nacionalizado 1300 empresas. Quatro décadas depois, a economia portuguesa ainda sofre as consequências das nacionalizações.
 
«Portugal é neste momento um capitalismo sem capital, e por isso é que muitas empresas são vendidas aos estrangeiros», considera Francisco Sarsfield Cabral, jornalista e comentador de economia.
 
Dos grandes grupos económicos da altura – das famílias Espírito Santo, Champalimaud e Mello – sobrevivem hoje dois ramos do antigo império CUF. Na banca, o capital é quase todo estrangeiro.
 
Centenas de empresas familiares foram apanhadas no processo. Fernando Pedroso, filho do antigo dono de uma empresa de autocarros de Caneças, lembra-se bem do dia em que a Arboricultora passou para as mãos do Estado: «De repente caiu-nos um furacão em cima. Os meus tios e o meu pai ficaram sem nada».
 

 Autocarro da empresa Arboricultora, nacionalizada em 1975

Choveu torrencialmente nesse dia 11 de Junho de 1975. Ironia? Fernando Pedroso vai mais longe: «Fomos os últimos a ser nacionalizados, porque atingimos a dimensão mínima. Se tivéssemos mantido os 98 autocarros, e não os 100 ou 101 que foram comprados muito próximo da nacionalização, não tínhamos sido nacionalizados». 


O coronel César Neto Portugal pilotou um dos aviões que sobrevoou o regimento de artilharia de Lisboa, o local onde se centraram as operações, e esteve esta quarta-feira no Jornal das 8, da TVI.

No bairro de Santa Maria dos Olivais, os moradores mais velhos não esquecem o dia em que viram as ruas e alguns prédios do bairro invadidos por militares.