A manifestação que a Freguesia de Palme, Barcelos, está a promover, em protesto contra a possível instalação na zona do aterro sanitário do Vale do Lima e Baixo Cavado juntou vários milhares de pessoas, numa extensa caravana automóvel, escreve a Lusa.

Os populares, que se juntaram, a partir das 14:00 junto à Estrada Nacional Barcelos-Viana, em tractores, automóveis e bicicletas, foram recebendo, ao longo dos 12 quilómetros de via até Barcelos, a adesão de várias centenas de outros cidadãos de freguesias vizinhas, incluindo a de Vila Chã, Esposende, que temem também virem a ser afectados pelo aterro.

Entrar na cidade

Os manifestantes, que se encontram, ainda, a entrar na cidade de Barcelos, dirigem-se para o edifício da Câmara Municipal, onde se vão concentrar e para onde está marcada uma reunião entre uma delegação de 50 pessoas e o vereador do pelouro do Ambiente, Agostinho Pizarro.

Dentre as dezenas de cartazes que transportam destacam-se os que dizem «Ambiente sim, lixo não», «Floresta sim, lixo não», e «Senhor presidente venha fazer uma casa em Palme».

O presidente da autarquia, Arlindo Vila Chã (PSD), adiantou à agência Lusa que a adesão popular demonstra que as pessoas temem pelo futuro ambiental das zonas onde vivem, e querem continuar ligadas ao sector agrícola

Contra o aterro

A freguesia tem vindo a ameaçar com o recurso aos tribunais para evitar a instalação do aterro na freguesia. Arlindo Vila Chã diz que a esmagadora maioria da população rejeita o aterro, e nem sequer quer ouvir falar da proposta camarária de realização de um estudo de impacto ambiental: «Há outros lugares no concelho mais favoráveis, só que escolheram Palme por estar no extremo norte mais perto de Viana do Castelo», afirmou.

A Lusa tentou contactar a Câmara Municipal de Barcelos mas não conseguiu, até ao momento, uma reacção sobre o caso.

O autarca de Palme adiantou que «caso a opção recaia sobre Palme», a freguesia «vai solicitar a uma entidade altamente credível e completamente independente, um estudo para saber se o aterro teria ou não impactos negativos».

Querem garantias

«Se esse estudo não nos der totais garantias que podemos ficar tranquilos, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para chutar o aterro para bem longe. Vamos até onde for preciso, mesmo até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem», disse.

Arlindo Vila Chã teme sobretudo pelos maus cheiros e pelo futuro da agricultura de subsistência de Palme e das freguesias vizinhas.

«O planalto onde querem instalar o aterro exporta água para o Cávado e para o Neiva. Com a impermeabilização de uma extensa área do solo, os regadios de Palme, Fragoso, Aldreu, Vila Cova e outras freguesias correm o sério risco de secar. E uma boa parte das populações destas freguesias vivem à custa da agricultura», alertou.

População chamada a participar

Numa recente reunião na Câmara de Barcelos, a Freguesia de Palme foi oficialmente apontada como a principal candidata a receber, em 2011, o aterro, pelo que foi de imediato convocada para domingo nova Assembleia de Freguesia para debater o assunto e definir formas de luta.

«Neste momento, Palme está em ligeira vantagem para receber o aterro», admitiu, há dias, o vereador do Ambiente na Câmara de Barcelos, Agostinho Pizarro, numa sessão de apresentação do estudo sobre os potenciais locais para acolher aquela infra-estrutura.

No entanto, Pizarro admitiu que se poderão ainda realizar mais estudos, para uma escolha «o mais fundamentada possível», ao mesmo tempo que garantiu que a população será também chamada «a participar na decisão», quando da consulta pública do estudo de impacte ambiental.