A presidente da Assembleia da República portuguesa defendeu hoje em Luanda que as relações luso-angolanas assentam nas instâncias políticas e excluem as instâncias judiciais.

«Acho que em Portugal, como em Angola, (...) a colaboração dá-se ao nível das instâncias políticas e exclui as instâncias judiciais e é nessa colaboração, ao nível das instâncias políticas, que apostamos nós e que, tenho a certeza, que apostam os angolanos», disse.

Assunção Esteves, que fez a afirmação no final de um encontro com empresários portugueses, chegou hoje a Luanda para uma visita de quatro dias, no quadro da realização da IV Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Instada a dizer se a visita traduz um sinal de normalização nas relações luso-angolanas, Assunção Esteves respondeu afirmativamente.

«É sobretudo um sinal que nós queremos que esteja (a normalizar). Também acho que está (...) Seria hipócrita dizer que não há nenhuma intenção de reforçar a afirmação de uma fraternidade incontornável que existe entre os povos português e angolano», continuou.

O relacionamento bilateral tornou-se tenso depois de o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, ter anunciado num discurso no parlamento em Luanda o fim da intenção de formalizar uma parceria estratégica com Portugal.

Relativamente ao encontro com os empresários, Assunção Esteves disse ser necessário reconhecer que a relação Portugal-Angola, que classificou como «muito forte», não deixa de estar sujeita aos desafios da mundialização.

«Há mais atores no terreno. E a relação Portugal-Angola tem de contar com isso. Tem de criar uma pragmática e uma prudência de atuação que lhe permita a mesma eficácia, onde já entraram mais atores por força de um conjunto de circunstâncias que nos ultrapassam a nós e aos angolanos», concluiu.