A líder do CDS-PP defendeu esta terça-feira que as políticas para aumentar a natalidade devem "unir o país" e desafiou os parceiros sociais a participarem no debate público sobre as medidas que o partido vai apresentar no Parlamento.

Mais de 12 projetos de lei e de resolução vão ser debatidos no Parlamento no dia 5 de maio, num agendamento potestativo [obrigatório] marcado pelo CDS-PP, que Assunção Cristas afirmou serem "propostas abertas para discutir com todos os partidos políticos e com os parceiros sociais".

Há questões em matéria de conciliação entre o trabalho e a família e a questão do calendário escolar que não devem ser apenas debatidas no quadro dos partidos políticos e eu espero que o parlamento possa depois fazer audições alargadas com os parceiros sociais e com organismos com interesse nestas matérias", afirmou.

Assunção Cristas falava no final de uma visita a uma Instituição Particular de Solidariedade Social em Bicesse, Cascais, que acolhe nas valências de berçário, creche e pré-escolar 85 crianças e é gerida pela Santa Casa da Misericórdia de Cascais.

Questionada sobre qual a posição do CDS-PP face à petição da Ordem dos Médicos que reuniu sete mil assinaturas em 48 horas propondo a redução do horário de trabalho para um dos pais até cada filho completar três anos, Assunção Cristas disse "concordar em absoluto" com "a ideia por detrás" da petição que "é a ideia de que os pais com filhos pequenos terem que ter mais flexibilidade".

Tudo isto como é evidente custa dinheiro, implica despesa, seja para o Estado seja para as empresas que empregam mães e pais com filhos. Por isso nós achamos importante que estas medidas [de apoio à natalidade] sejam debatidas com os parceiros sociais", disse.

Para Assunção Cristas, "o importante é que as famílias sintam que, ou por que têm jornada contínua, part-time, teletrabalho, licenças ou redução de horário ou porque têm creches com horários flexíveis e preços suportáveis ou porque têm avós que podem gozar parte desses benefícios não podendo os pais estar dois anos em casa, que há respostas e soluções, isso é o mais importante que as pessoas sintam que podem ter filhos e que haverá sempre uma solução.

A deputada sustentou que "só num conjunto alargado de medidas, com consistência e com estabilidade e largo consenso político" é que será possível "dar a volta à situação que neste momento é dramática para o país"

"Neste momento temos 1,2 filhos por mulher, é o pior número da União Europeia e o quinto pior do mundo", salientou.

A possibilidade do alargamento da licença parental aos avós é outra proposta do CDS-PP, que defende também que o direito de assistência aos filhos, que tem o limite de dois anos e não é remunerado, possa ser estendida aos avós.