Porto discute experiências de quase-morte

«Entra-se num mundo diferente» referiu especialista em congresso

Por:    |   22 de Março de 2007 às 19:34
A maior surpresa para as pessoas que estão a morrer é perceberem que a morte não acaba com a vida, apenas se regista uma mudança e se deixa de «vestir» um corpo que filtra e amplifica as sensações, noticia a agência Lusa.

A tese é da norte-americana P.M.H. Atwater, especialista em experiências de quase-morte, que participou esta quinta-feira numa mesa-redonda no Porto sobre o tema «A morte passou por mim», integrada no V Congresso Internacional do Espaço T, instituição de solidariedade social.

«Eu morri três vezes em 1977, desde essa altura sinto a vida de modo diferente e, por causa dessas experiências, iniciei as investigações sobre esta matéria», afirmou a especialista, que já escreveu oito livros sobre experiências de quase-morte com base em depoimentos de mais de três mil pessoas.

A especialista norte-americana salientou que existe actualmente «muito mais informação» sobre esta matéria do que há alguns anos e, por essa razão, «passar para outra dimensão, ter experiências fora do corpo ou ser visitado por pessoas mortas é hoje considerado normal no contexto das experiências de quase-morte».

Com base dos depoimentos que tem vindo a recolher, desde que iniciou as suas investigações sobre a matéria, a especialista norte-americana salientou que a luz que é vista pelas pessoas numa experiência de quase-morte «nem sempre é branca, muitas vezes é negra ou púrpura, mas é sempre quente e confortável».

«A pessoa entra num mundo diferente, onde pode ver familiares e amigos que morreram, até mesmo animais de estimação», afirmou, acrescentando que se segue uma «recordação da vida passada desde o nascimento e a visão dos efeitos que a sua morte provoca nos amigos e familiares».

Em muitos casos, envolve uma experiência fora do corpo, tendo Atwater revelado que algumas pessoas «saem do quarto e vão para casa, deixando o corpo no hospital, onde voltam depois para regressar ao corpo».

As investigações que realizou sobre esta matéria, levam a especialista norte-americana a concluir que «não existe apenas um céu e um inferno, mas vários», o que significa que «não existe um único sítio para onde vão todos».

«Estas experiências levam-nos a concluir que somos todos almas, que estamos aqui para experimentar e que a morte não acaba com a vida, apenas com esta forma de vida», concluiu, para receber os aplausos da assistência, uma parte da qual decidiu sair da sala no final desta intervenção, talvez para tentar assimilar toda a informação recebida em pouco menos de 30 minutos.
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