O panorama dos festivais de música conta este ano com mais eventos e de menor dimensão, mas o setor precisa ainda de mais profissionalização, afirmou à agência Lusa o diretor da associação APORFEST, Ricardo Bramão.

Criada em 2014, a Associação Portuguesa dos Festivais de Música (APORFEST) tem estado a analisar a área dos eventos de música - que começam agora em força com a chegada do verão -, já traçou o perfil do espectador português e promove formação de agentes do setor.

"Percebemos que esta área não está ainda maturada, que há mais festivais, de pequena dimensão, e que há outros que desaparecem, ou porque não têm apoio financeiro sustentado ou por falta de capacidades", referiu o responsável.


De acordo com a APORFEST, o calendário português conta com cerca de 150 festivais de música. Entre os que têm maior visibilidade junto do público português, o NOS Primavera Sound é um dos primeiros a realizar-se, entre os dias 04 e 06 de junho, no Parque da Cidade, no Porto.

Nas próximas semanas e até setembro, há propostas para quase todos os gostos, do fado à world music, do pop rock ao reggae, das músicas do mundo à eletrónica, com centenas de concertos e a movimentação de milhares de artistas, de norte a sul do país.

Há festivais que somam mais de dez edições, com o Festival Músicas do Mundo de Sines, com a 17.ª edição, em julho, o Super Bock Super Rock, que cumpre 20 anos em julho, mudando-se do Meco para o Parque das Nações, Lisboa, ou o Vodafone Paredes de Coura, desde 1993 a mostrar música na localidade minhota.

Outros estão ainda nas primeiras edições e a consolidarem-se, como o Caixa Ribeira, dedicado ao fado, em junho no Porto, ou o Sol da Caparica, só com música portuguesa, em agosto, na Costa de Caparica.

O Nos Alive, que cumpre a nona edição em julho, no Passeio Marítimo de Algés, em pouco tempo tornou-se num dos maiores festivais pop rock na área da Grande Lisboa, conquistando prémios e reconhecimento na imprensa internacional.

Ricardo Bramão disse desconhecer o valor económico dos festivais de música, o impacto em cada localidade onde se realiza e os investimentos envolvidos a um nível global.

"Estamos a trabalhar numa base científica para tentar perceber essa vertente. Já conseguimos traçar o perfil do festivaleiro, percebemos a dimensão do setor, mas não temos ainda uma base científica validada com dados sobre financiamentos, patrocinadores, bilheteira, apoios", referiu o diretor.


Sobre o panorama dos festivais, Ricardo Bramão explica que "há vontade de se fazerem festivais, mas a dificuldade é conseguir mantê-los, sobretudo os de menor dimensão, ou porque falha um ou outro apoio, ou porque não há conhecimentos suficientes para optimizar o trabalho".

Quanto ao perfil de quem frequenta festivais de música, a APORFEST lançou, no final de 2014, a segunda edição de um inquérito nacional e ficou a saber que são sobretudo jovens entre os 17 e os 20 anos, estudantes e que gastam até um máximo de 20 euros por festival (61 por cento dos inquiridos).

O cartaz é a principal razão para a escolha de um determinado festival (77 por cento), mas os espectadores valorizam também o preço dos bilhetes (59 por cento), o sentimento de segurança e bem estar (53 por cento).

De acordo com o inquérito, 49 por cento dos frequentadores de festivais de música gostariam de ver as infraestruturas melhoradas e 47 por cento pensam o mesmo, mas em relação ao preço dos bilhetes.

Em 2014, no topo das preferências dos espectadores esteve o Alive, o Super Bock Super Rock, o Paredes de Coura, o Rock in Rio e o Primavera Sound.

Noventa e cinco por cento dos inquiridos têm opinião positiva sobre os festivais e 72 por cento quer ir a um festival fora do país.