O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Fernando Faria de Oliveira, reconheceu esta quarta-feira que o impasse na Grécia em torno de um acordo de Atenas com os credores tem impacto no financiamento à economia europeia.

A "incerteza geopolítica" e a "crise na Grécia" foram fatores elencados por Faria de Oliveira como potenciadores de risco e demonstradores da vulnerabilidade do sistema financeiro na União Europeia.

Fernando Faria de Oliveira fala desde cerca das 18:00 na Ordem dos Economistas, em Lisboa, apresentando uma exposição, perante algumas dezenas de interessados, sobre a união bancária e outras matérias ligadas aos bancos.

Os ‘yields' da dívida pública e taxas de juro baixas - que "intensificam o risco de sobrevalorização de ativos" - foram também pormenores destacados pelo responsável como merecedores de especial atenção.

Faria de Oliveira lembrou ainda os recentes "aumentos brutais de requisitos de capital requeridos" aos bancos europeus, o que teve consequências na "capacidade de concessão de crédito" das entidades.

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, reúne-se esta quarta-feira em Bruxelas com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para discutir a proposta de acordo feita pelo seu Governo aos credores.

Desde fevereiro - quando foi estendido o programa de resgate da Grécia até junho - que se arrastam as negociações entre Atenas e as instituições credoras (Comissão Europeia, FMI e BCE) sobre as reformas e medidas orçamentais a serem adotadas pela Grécia que permitam ultrapassar o impasse e transferir para os cofres helénicos a última ‘tranche' do atual programa de resgate, que ascende a 7,2 mil milhões de euros.

O tempo, que já corria em contrarrelógio, começa agora a esgotar-se, perante a situação cada vez mais dramática dos cofres públicos gregos.

Só este mês, além de outras obrigações, Atenas tem de fazer face ao pagamento de 1.500 milhões de euros ao FMI, a começar por 300 milhões de euros esta sexta-feira.