O ex-secretário-geral socialista António José Seguro rejeitou hoje estar a voltar à vida política ou partidária, no lançamento do seu livro sobre a reforma regimental do parlamento, apesar de admitir que está no "espaço público".

Na Universidade Autónoma de Lisboa, o antigo líder do PS protagonizou a cerimónia, muito participada por diversos quadrantes políticos e institucionais, centrada na sua tese académica relativa às formas de controlo e escrutínio parlamentar dos governos, um ano e meio após perder as primárias para o atual primeiro-ministro, António Costa.

"Isto não é nenhum regresso à vida partidária, isso posso dizer com total clareza. Aliás, há muito mais vida do que a partidária e para além da vida partidária", esclareceu, rejeitando todas as "perguntas marotas" dos jornalistas, incluindo a apreciação sobre o desempenho do executivo socialista ou do novo Presidente da República.

Seguro assumiu-se como "um homem livre, sem dependências", que faz "em cada momento" o que lhe "apetece", sendo o atual um período em que está a fazer as coisas de que gosta: aulas, investigação e atividade empresarial numa "microempresa".

"Não se pode falar em regresso à vida política. Fala-se, se quiser, quanto muito, no regresso ao espaço público através do contributo que o meu livro dá para a reflexão sobre o funcionamento dos parlamentos, um aspeto específico que é o controlo dos poderes democráticos", disse.

O eurodeputado do PS Francisco Assis, que se opôs aos acordos socialistas à esquerda que viabilizaram o executivo de Costa, e foi também candidato à liderança do partido "rosa" contra António José Seguro também desvalorizou o momento no que toca às movimentações internas e elogiou a postura do chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.

"Acho que se colocou acima dos conflitos partidários, acho que fez bem, fez um bom discurso. Eu apreciei o discurso do Presidente da República e acho que pode dar um bom contributo para a estabilidade da vida nacional", afirmou.

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e os ministros da Cultura e da Economia, João Soares e Manuel Caldeira Cabral, assim como o antigo Presidente da República Ramalho Eanes ou o ex-ministro e presidente do Tribunal de Contas e atual administrador da Fundação Gulbenkian Guilherme d'Oliveira Martins estiveram presentes na sessão.

Jorge Coelho, Alberto Martins, José Magalhães, Álvaro Beleza, Carlos Silva (UGT), João Proença, Manuel Maria Carrilho, Ana Gomes, António Galamba, Eurico Brilhante Dias e Henrique Neto foram várias das "caras" socialistas que também acompanharam o evento, que contou com outras "cores".

Santana Lopes, ex-primeiro-ministro e atual provedor da Santa Casa da Misericórdia, os ex-ministros Marques Guedes e Aguiar-Branco, e os parlamentares Duarte Pacheco e Matos Correia, entre outros, representaram o PSD.

Do CDS-PP deslocaram-se ao encontro o líder parlamentar Nuno Magalhães e os também ex-ministros Bagão Félix e Pedro Mota Soares, além do antigo deputado Diogo Feio. O comunista António Filipe e o bloquista Luís Fazenda também marcaram presença.