Em linha com o que vem defendendo nos debates televisivos, António Costa quer que as empresas, a investigação e a educação sejam o foco dos próximos anos, do próximo Governo que ambiciona liderar. Por isso, o candidato às primárias do PS ¿ que vão eleger o próximo socialista a disputar o lugar de primeiro-ministro, promete uma política fiscal «amiga» das empresas.

«Temos de ter uma política fiscal mais amiga do emprego, da inovação e da capitalização das empresas. Um dos problemas mais graves da nossa economia reside nos elevados níveis de endividamento das empresas, sendo por isso necessário que reforcem os seus capitais próprios», defendeu António Costa, depois de uma visita à empresa tecnológica Tekever, no Parque das Nações, em Lisboa.

António Costa quis reforçar que «a política fiscal deve ser amiga das empresas que são amigas do desenvolvimento com qualidade do país. Não devemos tratar tudo por igual e as boas práticas devem ser incentivadas». Daí que os custos de investimento na investigação «deverão ter um tratamento fiscal privilegiado», cita a Lusa.

«Mas também devem ter o mesmo tratamento os capitais que sejam reinvestidos nas empresas e que não são distribuídos aos acionistas», disse, numa alusão a um projeto já apresentado pelo PS, no parlamento, esta legislatura.

António Costa defendeu uma política fiscal com uma natureza "pró-ativa em relação a boas práticas que ajudem as empresas a robustecer os seus capitais próprios, ou a investirem na investigação e inovação».

Multiplicar austeridade? Não, apostar na qualificação

Tomando como exemplo a empresa Tekever, António Costa salientou a crescente internacionalização desta companhia (já com representações em países como os Estados Unidos, Reino Unido, Brasil ou China) e classificou-a como «um bom exemplo» da estratégia de desenvolvimento do país.

«A estratégia de desenvolvimento do país não pode assentar nem no empobrecimento, nem na multiplicação da austeridade, mas sim na qualificação. Esta empresa é exemplar da ligação da ciência à economia». O desinvestimento na ciência ou na educação «não é só mau para os dias de hoje, mas também compromete o desenvolvimento futuro».

«Felizmente há vários bons exemplos no país. Se não houver uma política pública que valorize a educação, o Ensino Superior, a ciência, a investigação e a internacionalização, dificilmente os agentes privados podem de forma isolada» expandir-se no mercado mundial, advogou o autarca de Lisboa.

Neste contexto, António Costa insistiu na necessidade de Portugal «ter uma agenda para a década que dê um rumo ao país, mobilizando o conjunto das energias nacionais, desde as universidades, aos investidores e empresas».

«Essa estratégia com base na aposta na investigação tem de ter continuidade. Não podemos dar num período prioridade à ciência, mas depois considerar-se que essa área afinal não é prioritária. A situação de estagnação em que nos encontramos não é uma fatalidade. Temos recursos humanos, científicos e empresariais para fazer o que esta empresa fez».