Último dia de campanha eleitoral. Emblemático, assim como o almoço na Trindade e a descida do Chiado para o Partido Socialista. Hoje, até o fundador Mário Soares compareceu, bem como Jorge Sampaio. Os discursos, esses, aqueceram contra os partidos mais à esquerda. Mesmo assim, António Costa perdeu a voz. 

Muito, muito rouco, e engasgado, e a dois dias das eleições, o candidato a primeiro-ministro, reconheceu que sabe "e as sondagens confirmam", que há ainda muitas pessoas indecisas sobre o que fazer com o seu voto. "Numas eleições em que cada voto conta, esta margem de indecisão tem de se resolver. Se não se resolver até domingo, perde-se a oportunidade. Perde-se a oportunidade", advertiu. 

"Para que é que vamos deixar para jogadas políticas na Assembleia da República quem é que governa, se cada um pode decidir?"


Ficou a pergunta no ar, a horas do período de reflexão e António Costa acabou por ter de interromper o discurso porque estava com dificuldade em falar. 


"Simpatia não faz eleições"


O primeiro a atacar a CDU e o Bloco de Esquerda foi o presidente da câmara de Lisboa. Fernando Medina falou para quem pensa votar nesses partidos.

"O Jerónimo de Sousa é uma pessoa séria, simpática", começou por dizer. Imaginando que o PCP ganhava as eleições, o socialista advertiu que os comunistas querem fazer um estudo "para obrigar à saída" de Portugal do euro:

"Mas vocês acham que no dia a seguir as vossas poupanças estavam garantidas nos bancos? Vocês acham que a seguir há condições para recuperarem salários? Vocês acham que há condições para recuperar as pensões?". 


Depois, o Bloco como alvo: " Catarina Martins e Mariana Mortágua são muito simpáticas e inteligentes. A campanha foi feita a analisar antipatia pela ldierança do bloco pela simpatia da liderança. Não questiono", ironiza.

Ora, o autarca da capital, que sucedeu a António Costa na câmara, avisou que o que está em jogo nestas eleições "não é a simpatia", mas o que vai acontecer nos quatro anos a seguir.

"Mas alguém de vocês acredita que se tomarmos posição de rutura com a Europa e renegociação unilateral da dívida isso vai melhorar o país? Não vai"


Depois, foi a vez de Ferro Rodrigues partir para as críticas à esquerda do PS, sem papas na língua, aludindo à investigação do Expresso em que alegadamente os sociais-democratas avisaram os comunistas que estavam a perder votos para Costa:  "Os eleitores da CDU de certeza que não gostaram das combinatas entre a direção de campanha do PSD e o PCP".  

Já sobre o Bloco, disse que os atuais e antigos dirigentes em vez de atacarem a direita, estão a atacar os socialistas. O fundador Fernando Rosas disse, esta semana, que o BE defende a Democracia e que o PS "tem dias". Ferro Rodrigues avisou que esses discursos das esquerdas vão ser pagos com juros para o país. 

Na segunda semana da campanha eleitorais, os socialistas que discursaram nos comícios e o próprio António Costa endureceram o discurso contra CDU e Bloco, lamentando as críticas ao PS e aproveitando para apelar ao voto útil em prol da governabilidade. 

Voltando a Ferro Rodrigues, teve ainda uma palavra para Cavaco Silva, "esse extraordinário Presidente da República", comentando o facto de o chefe de Estado faltar às comemorações do 5 de Outubro. "É uma vergonha para Portugal, é uma vergonha para o povo português". 

A António Costa, Ferro Rodrigues prometeu: " Estaremos no 5 de outubro, aconteça o que acontecer"