António Costa afirmou, este domingo, que «no PS não há nem vencedores nem perdedores» e que os adversários do partido «estão lá fora».

«Todos vencemos quando o PS se reforça e é por isso que cá estamos todos, para dar mais força ao PS e, dando mais força ao PS, ajudar a mobilizar Portugal», considerou.

Para o autarca, o PS é «uma grande instituição» feita «por milhares de mulheres e homens», por isso recebeu «com grande satisfação» o apoio «da grande maioria dos fundadores do PS».

«Porque é a continuidade dessa história que remonta há mais de quatro décadas, que todos nós temos o dever de ir prosseguindo, acrescentando, valorizando, com a noção que nunca fazemos nada sozinhos, mas fazemos todos em equipa, porque o PS tem de ser e será sempre uma grande equipa», justificou.

Sobre as divergências internas, Costa chamou a atenção para o exterior. «Já no passado divergimos e certamente no futuro voltaremos a divergir, mas os nossos adversários nunca estão cá dentro, os nossos adversários estão lá fora e é por isso que é fundamental travarmos este debate com espírito fraterno, de camaradagem, de unidade, porque no dia a seguir às eleições todos seremos socialistas, todos continuaremos a ser do PS e todos continuaremos cá a dar o melhor pelo PS», argumentou.

«É urgente uma mudança de política no país»

O autarca socialista António Costa considerou também hoje «urgente uma mudança de política» no país e um novo Governo PS que faça a diferença.

«Os portugueses disseram muito claramente nas eleições europeias que o tempo deste Governo acabou, o tempo desta política acabou e que é urgente uma mudança de política. E para mudar esta política é fundamental devolver a confiança dos portugueses no PS», disse António Costa num encontro com militantes, realizado no auditório do Paço da Cultura, na Guarda.

O candidato à liderança do PS alertou que nas eleições legislativas o partido não pode ter «a ambição de ter uma vitória pequena, porque o poder não existe por si próprio».

«Não podemos querer o poder pelo poder, para substituir uns ministros do PSD para pôr lá uns ministros do PS, ou pior, um resultado pequenino, pôr uns ministros do PS com mais uns ministros do PSD, porque o país seria ingovernável com um nível de fragmentação partidária como a que tivemos nas últimas eleições europeias», observou.

«Aquilo que os portugueses nos pedem é que nós nos batamos por fazer um novo Governo que possa fazer a diferença e para que esse novo Governo faça a diferença tem de ser um Governo com força para fazer a mudança que os portugueses nos pedem», afirmou.

Costa defendeu ainda que os desafios que o país tem pela frente «exigem a mobilização de todos».

«De todo o conjunto da sociedade em torno de uma agenda concreta, precisa, sobre a qual concentremos os poucos recursos que temos, mas toda a enorme capacidade que temos para persistentemente irmos vencendo, um a um, aqueles grandes obstáculos culturais que têm asfixiado a nossa capacidade de desenvolvimento», sublinhou.

O candidato às eleições primárias para a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro referiu ainda que os portugueses pedem que o país saia do «círculo vicioso de vistas curtas em que o Governo está bloqueado, não conseguindo pensar para além dos impostos que sobem e dos benefícios sociais que são cortados».

«Nós temos de ser capazes de olhar para o futuro, de projetar uma ambição para lá do curto prazo», referiu, lembrando que propõe uma agenda para uma década para resolver os problemas estruturais de Portugal que inclui o reforço da coesão social, a modernização do tecido empresarial e da administração pública, entre outras propostas.

Também referiu que o que permite credibilizar a política é «os políticos serem coerentes» e o primeiro teste é a capacidade de estarem próximos das pessoas e de «darem a cara nos momentos que são difíceis».