A gigantesca placa de gelo da Antárctida Ocidental (WAIS, na siglas em inglês) pode desmoronar-se caso a temperatura do oceano aumente em cinco graus centígrados, segundo um estudo publicado esta quarta-feira na revista cientifica britânica Nature, citado pela Lusa.

Os modelos informáticos utilizados para a elaboração dos cálculos demonstraram que um colapso desta natureza teria consequências «catastróficas» sem precedentes numa escala de tempo geológica curta, ou seja, de milhões de anos, consideram os autores do estudo.

Os professores David Pollard, da Universidade de Pensilvânia, e Robert DeConto, da Universidade de Massachusetts, as duas nos Estados Unidos, referem que a WAIS (West Antarctic Ice Sheet) já se encontra numa situação muito instável e que qualquer alteração de temperatura, por pequena que seja, pode causar «uma rápida desintegração e, inclusive, o seu colapso».

Último colapso aconteceu há cerca de três milhões de anos

No entanto, os dois especialistas reconhecem as limitações para prever qualquer rotura parcial ou total da placa, uma vez que ainda se desconhecem, na totalidade, as variações experimentadas no passado e os mecanismos subjacentes que levaram a anteriores derrocadas.

Um outro estudo paralelo, publicado na mesma revista, da autoria de Tim Naish, um especialista em glaciares da Universidade de Victoria, na Nova Zelândia, estima que o último colapso desta natureza aconteceu no período do Plioceno (há cerca de três e cinco milhões de anos), e que este fenómeno levou a um aumento global do nível do mar em cerca de 4,8 metros.

Modelo informático simula variações

O estudo de Tim Naish refere que existem evidências de que a WAIS se derrocou de maneira periódica durante o Plioceno, lembrando que nesse período os níveis de dióxido de carbono na atmosfera eram semelhantes aos actuais.

Para a realização do primeiro estudo, os investigadores David Pollard e Robert DeConto criaram um modelo informático que simula, a partir da experiência conhecida do período Plioceno, as variações da placa de gelo num período de cinco milhões de anos.

Segundo estes especialistas, o resultado foi que a WAIS passou, em poucos milhares de anos, de uma situação em que estava totalmente segura a um ponto próximo do desaparecimento total.