A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou que a anexação da Crimeia pela Rússia, selada esta terça-feira com um acordo histórico, é «contra o direito internacional».

«Estamos absolutamente convencidos de que a integração (da Crimeia) na Federação Russa é contra o direito internacional», sublinhou Merkel durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho.

A dirigente alemã falava pouco depois de o Presidente russo, Vladimir Putin, ter assinado um tratado sobre a anexação da península do sul da Ucrânia à Rússia.

Também primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu, em Berlim, as medidas que a União Europeia tem tomado, com vista a impulsionar o diálogo político entre Rússia e Ucrânia, afirmando que ninguém na Europa teria nada a ganhar com uma escalada de posições.

Falando numa conferência de imprensa conjunta com a chanceler alemã, após um almoço de trabalho no qual houve oportunidade de «trocar algumas impressões sobre a situação que se vive na Ucrânia», Passos Coelho indicou que Alemanha e Portugal estão «muito de acordo que é indispensável manter portas de diálogo que permitam sempre ter soluções diplomáticas e políticas negociadas».

«Ninguém na Europa teria com certeza nada a ganhar com uma escalada de posições que tornasse ainda mais difícil o diálogo que deve existir entre todas as partes envolvidas. Mas evidentemente que esse dialogo não pode surgir espontaneamente se não houver interesse e vontade das partes envolvidas em sentar-se à mesa», declarou.

Desse ponto de vista, sustentou «as medidas que têm vindo a ser adotadas ao nível da União Europeia podem de certa maneira ajudar a criar as condições necessárias para que esse diálogo possa vir a ter lugar e que a Europa permaneça, como deve permanecer, um espaço de maior prosperidade e de paz».

Na véspera, por ocasião de um Conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Bruxelas, a UE adotou, esta terça-feira, sanções contra 21 pessoas consideradas como responsáveis pela integração da república autónoma ucraniana da Crimeia na Rússia, no quadro de uma política de sanções progressiva, que os 28 garantem que prosseguirá se, designadamente, a Rússia não alterar as suas posições.