A voz vai falhando à medida que fala mais alto. Adivinha-se uma campanha difícil para as cordas vocais do candidato apoiado pelo PCP. E ainda a procissão vai no adro. Para demonstrar que nada está perdido nestas eleições recorre à história, sem cábula nem discurso escrito em papel. Relembra as eleições em que Freitas do Amaral perdeu para Mário Soares. O candidato de direita, apoiado pelo PSD e CDS, era dado como um possível vencedor. "Vinham aqueles meninos queques de sobretudo verde azeitona com o rei na barriga a achar que estava tudo ganho. Enganaram-se". Edgar Silva referiu-se às eleições nos "idos de 85". A verdade é que essas presidenciais aconteceram em 1986. Um ano de discrepância, mas a mensagem passa porque a memória também falha e já lá vão 30 anos. Pior seria falhar em matérias do presente.

Adiante no discurso, continua a tentar exemplificar como noutras eleições tudo parecia inclinado para a vitória da direita, mas isso não acabava por acontecer. Traz na manga as últimas legislativas e as sondagens que colocavam a coligação "Portugal à Frente" a ganhar. "Era tudo mentira!". Edgar Silva diz que PSD e CDS perderam as eleições. Ora, a verdade é que ganharam e não é preciso recuar muito no tempo para confirmar os factos. Aliás, na noite de 4 de outubro, António Costa, agora primeiro-ministro, assumiu a derrota. 

Factos históricos 2, Edgar Silva 0. Duas gafes no remate de saída da pré-campanha, aguardando quem o apoia que o candidato entre com o pé direito no período oficial de campanha, num grande comício no Palácio de Cristal, no Porto.