A Amnistia Internacional acusou o movimento palestiniano Hamas de praticar "uma campanha brutal de raptos, tortura e homicídios" contra alegados colaboradores de Israel e simpatizantes do partido palestiniano Fatah, durante a ofensiva israelita de 2014, em Gaza.

Num relatório intitulado "'Estrangular Pescoços': Raptos, tortura e execuções sumárias de Palestinianos pelas forças do Hamas durante o conflito de 2014 entre Gaza e Israel", a Amnistia denuncia uma série de abusos que são, para o diretor do Programa do Médio Oriente e Norte de África da organização, Philip Luther, "ações arrepiantes, algumas das quais constituindo crimes de guerra".

"Os responsáveis do Hamas permitiram que as suas forças de segurança praticassem abusos horríveis contra pessoas detidas. Estas ações arrepiantes, algumas das quais crimes de guerra, foram desencadeadas para espalhar o medo e a vingança na Faixa de Gaza."


Entre os abusos relatados estão as execuções extrajudiciais de pelo menos 23 palestinianos e "a prisão e tortura de dezenas de outros", incluindo "membros e apoiantes" da Fatah, principal rival político do Hamas na Faixa de Gaza.

Num relatório anterior, divulgado em março, a Amnistia acusou Israel de ter cometido crimes de guerra durante o mesmo conflito que, durante 50 dias, provocou 2.189 mortos, entre os quais 1.486 civis palestinianos, e destruiu mais de 16.000 casas.