Por: Redacção / CMM | 4- 5- 2010 13: 11
Para imprimir os enunciados das Provas de Aferição, o Ministério da Educação gasta mais de cinco milhões de folhas de papel,
o que representa o abate de mais de 500 árvores.
As associações de professores defendem que é possível reduzir o
número e os alunos admitem que o «susto» com a dimensão dos testes é só inicial.
No ano passado, realizaram estes
testes, que não contam para a nota, 116 403 alunos do 4.º ano e 119 214 do 6.º ano. A prova de Língua Portuguesa tem 16 páginas
nos dois anos de escolaridade, enquanto a de Matemática tem 23 e 31 páginas, respectivamente.
Segundo contas realizadas
pela agência Lusa, no total são impressas mais de 10 milhões de páginas. Utilizando os dois lados das folhas conclui-se que
são necessárias 5 071 387 folhas de papel, pelo menos.
Na prova de Matemática do 6.º ano de 2009, por exemplo, verifica-se
que uma das páginas serve apenas para apresentar um sinal de «Stop» e a expressão «pára aqui», enquanto noutras cinco apenas
metade da página é utilizada.
Provas em formato eletrónico
Para o presidente da Associação de Professores
de Português (APP), é perfeitamente possível reduzir os gastos com o papel, bastando realizar as provas em formato electrónico
e numa amostra de escolas.
«Numa altura em que todas as escolas têm computadores e internet, porque é que andamos
a queimar árvores?», questiona Paulo Feytor Pinto, lembrando que os testes do programa PISA, por exemplo, são realizados por
uma amostra de alunos.
Paulo Feytor Pinto lembra que, além dos gastos com papel, há ainda outras despesas relacionadas
com as provas: «condições de transporte seguras pagas com o dinheiro dos nossos impostos, seja para Bragança ou para Vila
Real de Santo António».
Provas levam ao abate de mais de 500 árvores
Os mais de cinco milhões de
folhas de papel que se gastam na impressão das Provas de Aferição representam o abate de 506 árvores, segundo a Quercus, que
apela ao Estado para que cumpra a legislação referente às compras ecológicas.
O ambientalista aconselha a tutela
a procurar soluções informáticas, aconselhando que enquanto alternativas como esta não estejam implementadas, «se reduzisse
o impacto, recorrendo ao uso de papel integralmente reciclado, em que as quantidades de água, as emissões de dióxido de carbono
e os recursos utilizados são muitíssimos menores».
Ministério da Educação recusa usar papel reciclado
Já
o Ministério da Educação afirma que não é possível utilizar papel reciclado nos enunciados das Provas de Aferição, de forma
a garantir uma boa qualidade de impressão, já que as folhas são utilizadas dos dois lados.
«As páginas são impressas
frente e verso e é por essa razão que não se pode recorrer a papel reciclado na impressão das provas, devendo esta cumprir
certos requisitos técnicos, de modo a garantir uma boa qualidade de impressão», afirma o director do Gabinete de Avaliação
Educacional (GAVE), numa nota enviada à agência Lusa.
De acordo com Hélder Diniz de Sousa, é necessário ter em conta
que a extensão das provas deve-se ao facto de que as respostas dos alunos são dadas nos próprios enunciados, «pelo que não
é gasto papel em folhas de resposta», como acontece, por exemplo, nos exames nacionais do ensino secundário.
Hélder
Diniz de Sousa lembra ainda que «as características gráficas destas provas não são diferentes das apresentadas por provas
congéneres em outros países ou por provas de avaliação em larga escala de âmbito internacional».
Provas custam
300 mil euros
Em 2007, o então secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, afirmou que, no total,
as Provas de Aferição custavam ao Executivo cerca de 300 mil euros.
Aos mais de 5 milhões de folhas A4 correspondem
10 142 resmas de papel (500 folhas cada). A preços normais de mercado cada resma custa 3,99 euros, o que representa um gasto
de 41 mil euros.
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