Por: Redacção / VG | 23- 6- 2010 10: 12
A construção das três barragens do Alto Tâmega vai implicar a elaboração de planos de monitorização dos lobos e dos mexilhões-de-rio,
a relocalização de património e uma observação sismológica por causa da falha activa de Penacova-Régua-Verin.
Tâmega: cidadãos
avançam para via judicial
O Ministério do Ambiente emitiu na segunda-feira uma Declaração de Impacte Ambiental
(DIA) «favorável condicionada» à construção de três barragens no Alto Tâmega: designadamente o Alto Tâmega, em Vidago, e Daivões
(ambas no rio Tâmega), e Gouvães (afluente).
A DIA chumbou uma das quatro barragens do Alto Tâmega por causa de uma
colónia de mexilhões-de-rio do Norte, uma espécie rara descoberta no rio Beça. O documento preconiza a elaboração de planos
de monitorização dos sistemas ecológicos, entre os quais se destaca o mexilhão-de-rio.
Este plano deverá levar à
localização e caracterização das populações existentes deste bivalve, a Margaritifera margaritifera, e à avaliação
das vantagens e desvantagens da deslocação de indivíduos afectados pelo projecto para outros núcleos não afectados.
A
DIA define ainda a elaboração de um estudo sobre as alcateias presentes na área afectada pelos empreendimentos, bem como da
possibilidade de instalar passagens de fauna sobre Daivões e Alto Tâmega.
Os planos deverão ser aprovados pelo Instituto
de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e será necessário complementar as medidas de compensação com outras previstas
para a zona, como sejam as decorrentes da implementação do Aproveitamento Hidroeléctrico do Fridão, das auto-estradas A7 e
A24, ou dos parques eólicos.
João Branco, da associação ambientalista Quercus, reagiu à aprovação das barragens com
«muita tristeza», porque diz que «mais uma vez se assiste à destruição da natureza em prol dos interesses económicos».
Referiu
que o chumbo de Padroselos «não foi suficiente» e que os restantes empreendimentos vão descaracterizar a paisagem, inundar
Rede Natura 2000, destruir habitats prioritários, entre o quais o do lobo.
«A solução ideal era que nenhuma das
barragens fosse construída. Estas albufeiras vão afectar irreversivelmente vários ecossistemas valiosos, que são actualmente
os últimos refúgios de espécies que se encontram em situação ameaçada», afirmou à Lusa.
Com a aprovação da Direcção
Regional de Cultura do Norte, serão recolocados vários monumentos espalhados pelo território, desde as pontes de arame em
Santo Aleixo de Além Tâmega e de Veral, a ponte sobre o rio Oura, a capela de Santa Bárbara, casa e capela de Ribeira de Baixo,
e o pontão de Viela.
Face à proximidade da falha activa de Penacova-Régua-Verin, potencialmente geradora de sismos
de magnitude elevada, a estrutura dos empreendimentos deverá ser dimensionada de modo a acautelar a ocorrência de sismos.
Deverá
ainda ser prevista, caso se verifique necessário, a instalação de um sistema de monitorização que permita fazer a observação
sismológica desde o início da construção, primeiro enchimento e durante a exploração do empreendimento.
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