Por: tvi24 / CP | 25- 8- 2010 12: 15
A aposta na gestão e conservação da floresta para prevenir os incêndios «continua a tardar», defendeu esta quarta-feira
a Quercus, que aponta o ordenamento como essencial, tal como a diversificação da paisagem, a educação cívica e a vigilância.
Em comunicado citado pela Lusa, a associação ambientalista refere que, sete anos após «a catástrofe do Verão de
2003», apesar de algumas melhorias no sistema de coordenação e combate aos fogos, «a aposta na prevenção continua a tardar
para a gestão e conservação da floresta portuguesa» durante todo o ano.
Para a Quercus, «é difícil ordenar o
que não se conhece», por isso defende ser «urgente» a elaboração de um novo cadastro da propriedade rústica para servir de
base a uma política florestal que promova o associativismo e a gestão da estrutura minifundiária de grande parte da floresta
do norte e centro do país.
As Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) «ainda não estão devidamente operacionalizadas
no terreno, devido em parte à burocracia associada e à falta de financiamento da gestão florestal».
O ordenamento
florestal deve estar integrado nos planos municipais onde a necessidade de conter a dispersão urbanística nos espaços florestais
deve ter «particular atenção».
«Portugal parece particularmente empenhado em destruir a sua própria floresta,
autorizando diversos projectos de urbanização em áreas condicionadas, nomeadamente áreas de montado de sobro e azinho
e florestas litorais», critica a Quercus.
A associação salienta também a necessidade de apostar na silvicultura
preventiva sustentável, adaptada às condições ecológicas de cada local, com a diversificação da floresta e utilização de espécies
autóctones mais resistentes ao fogo, como carvalhos ou sobreiros.
«A aposta na educação cívica e ambiental é fundamental
para promover uma alteração dos comportamentos de risco actualmente existentes, dado que não se pode usar o fogo nos espaços
florestais no período crítico do Verão», diz a Quercus, realçando o estímulo à participação de todos na vigilância.
A
entidade ambientalista defende a necessidade de «agilizar o acesso às verbas previstas no Fundo Florestal Permanente e no
PRODER para a gestão da floresta portuguesa».
A Quercus salienta que, com os incêndios e maior área ardida, «aumenta
o risco de erosão, o risco de cheias, uma diminuição da qualidade da água principalmente com as primeiras chuvadas após o
incêndio, havendo ainda emissões consideráveis de gases com efeito de estufa e uma alteração do uso do solo».
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