Por: tvi24 / CP | 22- 6- 2010 9: 30
O investigador da Universidade de Vila Real António Crespí afirmou esta terça-feira que o chumbo na barragem de Padroselos,
inserida na Cascata do Alto Tâmega, foi «apenas» uma «decisão política» para compensar o «mal conduzido» processo de avaliação
ambiental.
Mexilhão trava barragem do Alto Tâmega
«O chumbo foi uma compensação política por um processo
de avaliação de impacte ambiental que foi desenvolvido muito mal desde o princípio», afirmou à agência Lusa o especialista
da área do ambiente da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).
António Crespí disse que se trata de uma
espécie «extremamente importante», principalmente porque funciona como indicador ecológico de um conjunto de inter-relações
complexas» que existem naquele território.
No entanto, considerou «ridículo e até cómico» que se «reduza todo este
processo a uma única espécie».
«Que seja uma espécie que acabe por determinar como deve ser feita esta obra,
isto resulta no mínimo cómico. Estamos a falar de uma área que tem, em termos de fauna e flora, mais de dois milhares
de espécies», salientou.
O investigador criticou a «falta de rigor» com que foi feita «toda a avaliação de impacte
ambiental das barragens do Tâmega» e, por isso, diz que o Governo «teve que tomar a decisão de travar pelo menos um destes
empreendimentos».
Salientou que o Ministério do Ambiente acabou «por travar o mais óbvio». «O problema é que o processo
continua mal. O estudo foi mal feito. Padroselos é uma forma de lavar a cara a todo um processo que, desde o princípio, foi
extremamente mal conduzido», sublinhou.
Para o professor, a solução «ideal» para o Alto Tâmega não passa por chumbar
todas as barragens, até porque diz que a região está deprimida, económica e socialmente, e é uma área que não tem desenvolvimento
económico e industrial.
«Temos que ser sensatos e temos que intervir nesta área para criar planos de desenvolvimento
sustentáveis. Só que as barragens como estão projectadas não vão gerar desenvolvimento sustentável de forma nenhuma», frisou.
O ideal seria, defendeu, «fazer o processo bem feito».
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