Por: Redacção | 17- 6- 2010 19: 44
A Câmara de Gondomar anunciou esta quinta-feira que vai pedir à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR)
do Norte celeridade na avaliação dos resíduos depositados em S. Pedro da Cova, noticia a agência Lusa.
Depois da
reunião do executivo, esta manhã, o presidente da câmara explicou em comunicado que «não gosta de tratar de assuntos sérios
na praça pública» mas pretende «ver soluções» para o problema.
O aterro ilegal mereceu já tomadas de posição das
autoridades e da CDU que requereu à tutela a remoção dos «resíduos industriais perigosos depositados em S. Pedro da Cova»,
entre finais de 2001 e início de 2002.
Em resposta a esta polémica, Valentim Loureiro explica que «a Câmara, em todo
este processo, apenas fez o correcto, respondendo à solicitação de uma empresa sobre o que o PDM permitia».
Agora,
é necessário «uma investigação rápida que apure todos os factos» e, caso «se confirmarem algumas suspeitas, se retirem os
materiais da zona».
A autarquia aguarda agora, «com preocupação, o conhecimento de todo este processo e que os Serviços
Públicos envolvidos actuem com celeridade».
Segundo a CDU, foram depositadas em S. Pedro da Cova cerca de 300 mil
toneladas de resíduos industriais perigosos provenientes da fábrica da Maia da Siderurgia Nacional, em valas sem qualquer
tratamento do solo.
«Faltar à verdade»
O aterro de S. Pedro da Cova, revelado pela reportagem da
TVI «O Estado do Crime», continua a gerar reacções. Depois da Câmara Municipal de Gondomar ter aprovado
a remoção de resíduos, a CDU vem acusar a CCDR-N de estar a omitir a verdade neste caso, respondendo a uma primeira reacção
da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte
«Numa tentativa de branquear as suas responsabilidades
na deposição de resíduos tóxicos em S. Pedro da Cova, a CCDR-N resolveu prestar um ¿esclarecimento¿ público que omite a verdade»,
revela a CDU de Gondomar em comunicado enviado aos órgãos de comunicação social.
A CCDR-N refere que não tem «conhecimento
de qualquer documento tecnicamente válido que conclua pela perigosidade dos resíduos em causa», mas está a «faltar à verdade»,
dado que «desde Dezembro de 2001 que tem conhecimento de análises físico-químicas de uma amostra dos resíduos da Fábrica da
Maia da ex-Siderurgia Nacional, elaboradas por um laboratório independente».
Para além disso, «também tem na sua
posse um ofício da Provedoria da Justiça, datado de Maio de 2004, que refere a existência de «valores significativos de crómio
e de chumbo nas águas subterrâneas o que justificou ordem de selagem do depósito e sua impermeabilização, em operação que
será acompanhada pelos serviços próprios da CCDR-Norte».
São referidas outras intervenções, nomeadamente de responsáveis
da CCDR-N, o que leva a CDU a concluir que «ou trataram o pretenso esclarecimento com a ligeireza com que tem tratado este
grave problema ao longo dos últimos nove anos, ou querem continuar a enganar a população de S. Pedro da Cova».
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