O líder do PSD/Madeira, Alberto João Jardim, responsabilizou esta noite a mediocridade da classe política pela atual situação do país, devido à educação do pós-25 de Abril, que se «abandalhou».

«Portugal chegou a esta situação e isto tem uma explicação. [...] A diferença que vejo entre os primeiros políticos, em todos os partidos sem exceção logo a seguir ao 25 de Abril, é a mediocridade passados 20 anos», disse Jardim, acrescentando que, em sua opinião, isto aconteceu porque «se abandalhou a educação».

Jardim falava no comício de verão do PSD/M, na ilha do Porto Santo, discursando no largo em frente à câmara municipal da ilha, agora governada pelo PS, e do centro de congressos, durante mais de 40 minutos.

«Hoje temos em todos os partidos a atuar políticos que já são produto do ensino do pós-25 de Abril, que estão mal preparados, não têm capacidade para enfrentar os problemas do país», acrescentou o também presidente do Governo Regional da Madeira naquela que deve ser a sua última participação neste comício de rentrée do PSD/M nesta ilha.

Jardim falou ainda da situação de crise vivida em vários países, referindo que na origem dos problemas e do «descalabro dos países mais pobres da Europa» está a especulação financeira do grande capitalismo.

Para o governante, «a solidariedade europeia não funcionou», tendo as soluções sido pensadas de «forma desumanizada», sublinhando que «uma nação e um país não é um livro de contabilidade, são pessoas» que têm de enfrentar problemas.

«A União Europeia onde está? É uma fratura entre países devedores e credores», disse o dirigente do PSD/M, sustentando que «nem a Europa tinha direito de ser tão dura na imposição» da austeridade a Portugal.

Jardim considerou ainda que «a crise não é apenas económica e financeira», vincando que «é também de ética, de educação, da justiça, do domínio das sociedades secretas portuguesas, que resulta do situacionismo».

Entre outros aspetos, argumentou que «a revolução que também é preciso fazer em Portugal» consiste em «acabar com este sistema de ensino podre e voltar a ter um sistema de ensino que faça de Portugal» um país «capaz de, com sua bagagem cultural e conhecimentos científicos, estar nos mercados internacionais e impor-se no mundo de hoje».

No caso da justiça, Jardim censurou «os tribunais que julgam pela cara do freguês», afirmando que «a justiça está politizada», e referiu que «reduzir nos custos e cortar nos tribunais não é reformas nenhuma».