O ministro da Defesa Nacional, Aguiar-Branco, defendeu esta terça-feira que a crise entre a Rússia e a Ucrânia evidenciou a necessidade de uma política europeia comum e a importância de «não desvalorizar» o investimento no setor.

«É evidente que esta crise da Ucrânia/Rússia mostra que não há nada que seja adquirido e que é importante uma política de Defesa comum», afirmou, acrescentando que «é importante que não se desvalorize, como aconteceu no passado, as questões orçamentais ao nível da Defesa».

José Pedro Aguiar-Branco falava à Agência Lusa no final de uma reunião de ministros europeus dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, que terminou esta terça-feira na Cidade do Luxemburgo.

A situação na Ucrânia, analisada segunda-feira pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, foi retomada num almoço dos ministros da Defesa, adiantou, sublinhando a «importância de se encontrar uma solução de natureza diplomática».

Por outro lado, acrescentou, foi reafirmada uma «posição de princípio muito forte no sentido em que não é tolerável que haja uma ação violadora do Direito Internacional».

Na segunda-feira, a chefe da diplomacia da EU, Catherine Ashton, anunciou a intenção de alargar a lista de personalidades russas e ucranianas pró-russas abrangidas por sanções após os recentes incidentes no leste da Ucrânia.

O governo ucraniano lançou no domingo passado uma operação que chamou de «anti-terrorista» contra os separatistas pró-russos armados que ocuparam os centros de poder em várias cidades do leste da Ucrânia.

Moscovo, que concentrou dezenas de milhares de soldados na fronteira com a Ucrânia, condenou a ação das autoridades ucranianas, com o presidente russo, Vladimir Putin, a garantir que defenderá os interesses dos russos em qualquer parte dos países que faziam parte da antiga URSS.

A Rússia não reconhece o governo provisório pró-europeu chegado ao poder após o derrube, no final de fevereiro, do presidente pró-russo Viktor Ianukovich, na sequência de manifestações sangrentas na capital ucraniana.

Tropas russas, auxiliadas por milícias pró-russas, tomaram no mês passado o controlo da península da Crimeia, que fazia parte da Ucrânia, e que acabou por se anexar à Rússia após um referendo cuja legitimidade não foi reconhecida pelos países ocidentais.