Grandes investimentos públicos em tempo de crise, sim ou não? Valente de Oliveira, ex-ministro das Obras Públicas do governo de Durão Barroso não hesita na resposta: «Sim, desde que correspondam a necessidades sentidas e que sejam desbloqueadoras da actividade económica». Por isso, e contrariamente ao que defende a líder do partido a que pertence, Valente de Oliveira diz sim ao TGV, ao aeroporto de Alcochete e à remodelação do parque escolar.

Em entrevista conjunta ao RCP e à Agência Financeira, Valente de Oliveira defende, para além das referidas obras públicas, que Portugal tem de se preparar para uma «inserção em espaços económicos mais vastos». Precisamos de portos que funcionem muito bem, diz, e de ligações aos «interlands» muito eficazes. Por isso, é a favor da «construção de muitas plataformas logísticas», principalmente no Interior.

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Sobre o novo aeroporto de Lisboa, Valente de Oliveira é peremptório: «É muito necessário. Só quem não frequenta o actual é que não vê que precisamos de um novo aeroporto muito eficaz, muito moderno, com desembaraço de tráfego muito rápido».

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Ainda assim, Valente de Oliveira lança um alerta: «É preciso não gastar mais do que aquilo que se justifica. É precisio gradualismo. Não precisamos de fazer um aeroporto para 30 ou 40 milhões de pessoas. Um aeroporto evolutivo é sempre mais sensato do que uma grande obra fora da proporção daquilo que são as necessidades».

Para o aeroporto do Porto, este engenheiro de formação defende um sistema de gestão semelhante ao que existe no porto de Leixões: o Estado seria o «land lord» e os concessionários fariam a exploração. «Se ficarmos subsidiários de um centro de decisão que tem outras prioridades não teremos oportunidade de tomar as decisões que nos importam. O Norte precisa de muitas ligações internacionais porque tem de voltar a ser exportador», explica.

Sim ao TGV

Sobre o TGV, o ex-ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação, lembra que a linha do Norte tem 501 composições/dia, ou seja, «atingiu o seu limite». «É quase certo que temos de construir uma nova linha», diz.

Valente de Oliveira preferia, no entanto, o sistema T porque ligava Porto e Lisboa a Madrid. Quanto à ligação do Porto a Vigo, considera interessante uma ligação com «velocidade elevada, mas não a grande velocidade», até porque, com tantas paragens na Galiza, «não dará para acelerar».

Valente de Oliveira foi ministro da Educação e Investigação Científica entre 1978 e 1978, presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte (CCRN) entre 1979 e 1985, ministro do Planeamento e da Administração do Território entre 1985 e 1995, ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação em 2002 e 2003 e vice-presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP).

A entrevista a Valente de Oliveira será transmitida na íntegra este sábado às 13 horas e este domindo às 23 horas no programa «Confidências», na emissão do Porto.