O ministro da Saúde disse, esta quarta-feira, que não é sensível à “futebolização da política de saúde” e negou que o cirurgião Eduardo Barroso o tenha pressionado na escolha de dirigentes hospitalares.

De acordo com notícias divulgadas pela imprensa, Eduardo Barroso terá tentado interferir nas nomeações da equipa dirigente para o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC).

Na audição que decorre esta quarta-feira na comissão parlamentar de Saúde, Adalberto Campos Fernandes revelou ter convidado o atual administrador do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, Francisco Ramos, para a presidência do conselho de administração do CHLC, convite que foi aceite.

Conforme contou, Francisco Ramos terá tentado compor uma equipa e terá sido em resultado de um dos convites efetuado que a polémica surgiu.

Em causa está a escolha feita por Francisco Ramos para a direção clínica do Centro Hospitalar de Lisboa Central que, segundo a imprensa, terá recaído na anestesiologista Isabel Fragata.

O ministro reconheceu que a equipa que estava ser formada, a manter-se, iria “causar grande perturbação”.

Ao mesmo tempo, Francisco Ramos disse ao ministro da Saúde que teria tido muita dificuldade em “encontrar uma equipa estável”, tendo por isso retirado a sua disponibilidade para o cargo.

Adalberto Campos Fernandes recusou-se a mais comentários sobre Eduardo Barroso, tendo aproveitado para apresentar aos deputados o seu “enorme respeito” pelo cirurgião, que, segundo notícias divulgadas pela comunicação social, terá tentado inviabilizar a escolha da diretora clínica pretendida por Francisco Ramos.

O ministro escolheu entretanto Ana Escoval para substituir a ainda presidente do Centro Hospitalar de Lisboa Central, Teresa Sustelo, que colocou o seu lugar à disposição na sequência do caso do homem de 29 anos que morreu no Hospital de S. José, na madrugada de 14 de dezembro, com um aneurisma roto.