O episódio é de outubro do ano passado, mas ganhou novos contornos esta semana. O viúvo da mulher que foi considerada «demasiado gorda» para andar de avião por três companhias aéreas - Lufthansa, Delta e KLM - e que morreu dois dias depois do sucedido, pediu agora uma indemnização de 6 milhões de dólares (mais de 4,6 milhões de euros) por «homicídio culposo».

À época, a mulher, Vilma Soltesz pesava mais de 185 quilos. Sofria de obesidade mórbida, tinha diabetes e ainda uma doença renal e isso fez com que o casal enfrentasse um vaivém de «não's» por parte daquelas três companhias aéreas para conseguir voltar da Hungria, onde passada férias, para os Estados Unidos, terra natal.

Quando o casal viajou de Nova Iorque para Budapeste, conseguiu um lugar com dois assentos para Vilma. Na Hungria, ela adoeceu e foi assistida no hospital, tendo recebido a orientação para ser vista pelo seu médico nos EUA assim que voltasse ao país.

Duas semanas depois, Vilma e o marido, Jones Soltesz, tentaram deixar o país, mas foi aí que tudo se complicou ainda mais.

Primeiro, tentaram um voo da KLM, com assentos idênticos aos que tinham tido na viagem de ida. Mas o piloto pediu-lhes para embarcarem depois, uma vez que a mulher teve claras dificuldades em manobrar a cadeira de rodas para o lugar que lhe foi atribuído. Cinco horas de espera fizeram com que o casal tentasse, desta vez, Praga, para apanhar um voo da Delta que não tinha uma cadeira de rodas adaptável àquele assento.

Dias depois, a 22 de outubro, terceira tentativa, a Lufthansa. Apesar de terem tido ajuda de vários médicos e bombeiros, o processo demorou demasiado tempo para o piloto, que alegou que os outros passageiros, com voos de escala, iam atrasar-se ainda mais. Conclusão: ficaram em terra.

O casal não teve outro remédio, senão voltar para a sua casa de férias na Hungria. O processo diz que estando «exausta e sentindo-se mal», Vilma foi para a cama e no dia 24 o marido encontrou-a morta.

O viúvo acusa as três companhias de homicídio culposo, negligência e imprudência, e exige uma indemnização milionária. O processo aberto no tribunal federal de Manhattan e a AFP dá conta de um acordo final, cujos termos ainda não terão sido divulgados.

De qualquer modo, o advogado da Lufthansa, Michael Holland, informou o juiz, a 27 de agosto, por carta, que as partes tinha chegado a acordo.