Ainda vês TV na TV?

Portugal vê televisão há cinquenta anos. Primeiro substituiu a telefonia, tornando-se o centro da casa, agora sente-se ameaçada pelos conteúdos fornecidos pela internet. Conheça as alternativas à caixinha mágica

Por:    |   7 de Março de 2007 às 20:38
A Televisão comemora cinquenta anos de existência em Portugal. Faz parte do nosso imaginário e continua a povoar os nossos dias. Mas será que alguém ainda vê TV na TV? A pergunta é necessariamente provocatória, mas serve para chamar a atenção para novos fenómenos mediáticos, que ameaçam a caixinha mágica. Pelo menos aquela a que nos habituámos durante o último meio século.

Enquanto a RTP se desdobra em festejos, muito do seu público procura outras formas de entretenimento, reduzindo ao mínimo o tempo que passa no sofá, a ver algum dos canais ditos tradicionais. As alternativas são inúmeras: Youtube, Joost, Blinkx, Metacafe, TV Tuga, wwiTV, Sintonizate.

E aqui ainda não entram os conteúdos para iPod, que podem ser «sacados» (ilegalmente) de qualquer site de partilha de ficheiros. Se a TV Cabo já era uma ameaça concreta, estes conteúdos disponíveis on-line concretizam a tendência de futuro, que surge imparável e já mostrou ter conquistado a nova geração de consumidores.

Youtube, TVNET e TV Tuga

Considerando um negócio tão relevante como a televisão, que continua a gerar a maior parte da publicidade e investimento nos media, esta ameaça poderá também significar um grande impacto financeiro. Para Nuno Guerreiro, um dos fundadores da TV Tuga, a intenção «não é substituir a televisão tradicional, antes proporcionar um serviço alternativo a quem não pode ter acesso à TV de outra forma».

Fruto do génio à portuguesa, o TV Tuga (que até já tem um rival chamado Sintonizate) é um site onde se pode ver televisão à borla. «Começámos por ser vistos essencialmente por portugueses que queriam ver futebol, sempre de forma legal, caso contrário teríamos problemas. Com o passa-palavra, surgiram os emigrantes e depois os brasileiros, pelo que a oferta agora é enorme e o público-alvo muito vasto», reconheceu ao PortugalDiário, informando ainda que o site tem «entre 40 a 50 mil visitantes únicos por dia».

Um dos canais disponíveis no TV Tuga é o TVNET, que se auto-intitula «a primeira televisão portuguesa da internet». Com emissão on-line permanente, emite noticiários, entrevistas e reportagens. Também pede aos espectadores para enviarem conteúdos, o que se insere na nova tendência de web 2.0 em transição para 3.0, onde os ganhos poderão ser distribuídos.

Com uma máquina bem mais potente e avançada está o Youtube, que já aposta nos acordos com grandes multinacionais para legalizar os conteúdos. Foram já várias as empresas cinematográficas a autorizar a divulgação de videos, para além do Chelsea ou da BBC, por exemplo.

E o dinheiro?

Para já ainda há pouca gente a ganhar dinheiro com estas novas plataformas. O melhor que se consegue arranjar é a IPTV (Internet Protocol TV), que em Portugal já está representada pela Smart TV, da Clix. No fundo, é apenas uma forma de distribuir o sinal televisivo, também dos canais tradicionais, mas através da linha telefónica e com muito espaço para os alternativos.

Potencialmente, um deles será o Joost, dinamizado pelos fundadores do Skype e do Kazaa. Para já encontra-se em fase de testes, apostando na tecnologia peer-to-peer streaming para entregar o produto em pacotes encriptados. Para leigos, o utilizador pode ver o que quiser quando quiser. O Zattoo ou o Babelgum seguem-lhe as pisadas.
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