A nova-iorquina Gabrielle Penabaz estava a recuperar de uma desilusão amorosa, no verão de 2000, quando decidiu organizar uma festa de casamento para si própria. Escolheu o local, a aliança e o vestido de noiva, e até escreveu os votos. Embora tenha faltado uma peça, essencial em cerimónias mais tradicionais – o noivo –, a família e os amigos de Gabrielle não perderam a oportunidade de marcar presença.

Desde então, a americana abriu um negócio próprio para oficializar outros casamentos como o seu. Quem procura os seus serviços são, geralmente, mulheres solteiras. Até agora, Gabrielle já casou mais de 1.500 clientes.

Normalmente, é uma questão de amor-próprio. As pessoas que eu casei consigo próprias emocionam-se a ler os seus votos. Costumam dizer coisas como 'nunca mais me vou chamar feia'”, explicou Gabrielle à BBC.

 

 

Sophie Tanner, do Reino Unido, oficializou o casamento consigo própria há cerca de dois anos, naquele que considera ser o dia mais feliz da sua vida, com o pai, inclusive, a levá-la ao altar.

 

 

A “sologamia” apresenta-se como uma nova alternativa para quem quer estar casado, mas não quer casar com qualquer um. O conceito tem estado cada vez mais no centro das atenções e, ainda que não esteja legalizado, várias cerimónias têm sido realizadas um pouco por todo o mundo, como Estados Unidos, Japão, Itália, Austrália e Reino Unido.

No entanto, nem tudo agrada a toda a gente. E muitos apelidam a “sologamia” de uma atitude narcisista.

É importante ter a certeza de que os outros relacionamentos são saudáveis. Se alguém colocar constantemente as suas necessidades à frente das de qualquer outra pessoa, pode estar a entrar num território narcisista, e essa é uma posição solitária e pouco saudável”, afirmou à BBC a psicóloga Karen Nimmo.

Para além do negócio de Gabrielle, têm surgido diferentes negócios, dedicados exclusivamente ao planeamento deste tipo de casamento. Quem trabalha no ramo, descreve os adeptos do novo conceito como ,na sua maioria, mulheres urbanas, bem-sucedidas, educadas e, muitas das vezes, já casadas.

A realidade acabou por transpor para a ficção, tendo sido já retratada em séries como Sexo e a Cidade e Glee.