Tem dificuldade em arranjar um parceiro? Experimente ficar calado. Esta é a sugestão de um bar em Londres, que organiza encontros entre estranhos, onde o objetivo é o casais ficarem frente a frente sem dizer uma palavra.

Este é um novo conceito revolucionário de “speed dating”, intitulado “Shhh dating”, que pretende que os participantes tenham um encontro em que estão 90 segundos calados a olhar para os olhos do par. A ideia surgiu para contrariar a atual tendência das relações fugazes, fomentada pela vida noturna.

O criador do conceito, o ator Adam Taffler, garante que este método traz maior intimidade entre o casal e “um novo nível de proximidade”. A ideia terá surgido quando teve de passar uns dias na Austrália sem a namorada.
 

“Eu estava a falar com a minha namorada ao telemóvel, mas o que realmente gostávamos de fazer, no fim de cada telefonema, era parar de falar um com o outro. Ficávamos ali apenas a ouvir a respiração um do outro e era bonito”.

“Foi tão íntimo que decidimos tentar fazer um evento de encontros, onde as pessoas não falam e fazem apenas contacto visual. As pessoas já não fazem tanto contacto visual como antes”.


O ator foi ainda mais longe ao afirmar, em entrevista à AFP, que as palavras podem mesmo iludir e esconder a personalidade das pessoas.
 

“Com as palavras, estamos a apresentar uma ideia de nós próprios: isto é quem eu digo que sou. Mas muitas vezes não estamos a dizer que realmente somos. Podemos ver quem as pessoas realmente são ao olharmos para os seus olhos, porque eles não mentem”.


Por esta razão, todo o ambiente no bar, sediado na cave da Farr's School of Dancing, favorece a interpretação da linguagem corporal. O espaço tem velas, música jazz e um estilo vintage. Sem poderem falar, a única solução que resta aos participantes é interpretar os movimentos dos outros.

Para ajudar a “quebrar o gelo”, os intervenientes são convidados a apertar as mãos e participar num conjunto de jogos, criados para fomentar a confiança nos parceiros.

Os participantes são então dividos em grupos, de acordo com a preferência sexual e a idade, uma vez que as pessoas “tendem a ficar nos seus círculos”.

Este é um conceito que pode parecer bizarro, mas, para muitas pessoas que participaram, esta foi uma experiência a repetir.
 

“Foi uma boa experiência. Atingimos um nível de proximidade e intimidade que talvez não teríamos atingido se as pessoas estivessem a falar e a tentar impressionar os outros”, afirmou Lucie, uma das clientes.