A Miss Japão enfrenta duras críticas por não ter «traços japoneses» suficientes. Ariana Miyamoto tem 20 anos, nasceu em Nagasaki e é filha de mãe japonesa e pai afro-americano.

«Não ela nem parece japonesa», afirma Ishiko Komagawa.

«Metade não é 100%. Se alguém é escolhido como Miss Japão, ambos os pais devem ser japoneses», diz o estudante Tomaki Nogami.

 

Numa cultura em que o tom de pele branco é sinónimo de «japonês puro» e considerado um símbolo de beleza, a tez escura da coroada Miyamoto causou uma grande indignação. Esta situação não é nova para a modelo que sempre se sentiu intimidada por «ser diferente» e garante que «na escola, as pessoas atiravam-lhe lixo».

«As pessoas encontram a discriminação e preconceito», afirma o professor de Estudos Asiáticos da «Temple University em Tóquio, Jeff Kingston.

Segundo o professor, a coroação de Miyamoto «envia uma mensagem muito positiva sobre a evolução do Japão», que tantas vezes é considerado um país conservador e resistente à mudança.

Contudo, as críticas não abalam a modelo que diz ganhar ainda mais força para treinar para o concurso mundial de Miss Universo, que irá ser realizado em Janeiro.

«Quero dizer ao mundo, mesmo um meio-japonês pode representar o Japão», garante Miyamoto.