Dois cientistas, separados por mais de oito mil quilómetros, conseguiram aquilo que para muitos, só é possível nos filmes de ficção científica: comunicar através da mente, ou seja, por telepatia.

Michel Berg, da Universidade de Estrasburgo, França, e Alejandro Riera, de um centro de investigação de Kerala, na Índia, estiveram concentrados, durante uma hora, com o objetivo de enviar uma mensagem mental entre os dois.

A experiência aconteceu a 28 de Março, mas só agora foi divulgada num artigo científico publicado pelo site PLOS ONE.

O relatório é surpreendente: nessa tarde de março, os dois investigadores conseguiram alcançar um estado de comunicação entre os seus cérebros, apesar da distância entre os continentes que os separavam.

Assim, esta tornou-se a primeira mensagem telepática da história documentada cientificamente.

Os dois investigadores apenas trocaram duas palavras: «hola», (olá, em espanhol) e «ciao» (adeus, em italiano).

Mas apesar da brevidade da «conversa», a sua importância é enorme a comunidade científica.

«Mostrámos que é possível enviar mensagens mentais entre duas pessoas, sem usar qualquer sinal, contato, som, paladar ou cheiro», sublinhou Michel Berg, em declarações ao «Daily Mail».

O investigador destaca o impacto que a descoberta poderá ter na sociedade, no futuro.

«Por exemplo, vejamos o caso de uma pessoa que esteja em coma: agora não é possível perceber o que ela sente ou quer, mas, no futuro, poderá ser possível comunicar com ela», explicou.

Berg refere ainda a importância que a comunicação mental terá para prevenir, por exemplo, ataques cardíacos.

Fora da medicina, poderá permitir que soldados possam comunicar entre si, num cenário de guerra violento, sem terem de utilizar equipamento que determine a sua localização.

Apesar das vantagens que o fenómeno telepático parece abrir, algumas implicações poderão surgir em termos éticos e morais. Através deste tipo de comunicação, os juízes poderão determinar se os arguidos falam a verdade e os polícias poderão ler as mentes dos criminosos.

Estabelecer uma conversa complexa através da mente será bem diferente do que comunicar duas ou três palavras. Mas ainda assim, Michel Berg acredita que dentro de 20 anos a técnica estará muito mais desenvolvida.