Licenças para funcionários com novos animais de estimação são o mais recente benefício que está a ser concedido por algumas empresas nos Estados Unidos. Curiosamente, este é o único país industrializado cuja lei não obriga ao pagamento de licenças de maternidade para recém-mamãs. Ou seja, as empresas estão a ir além do próprio Estado e a conceder benefícios que não se limitam a crianças e incluem animais.

Quando um animal, seja um cachorro ou uma iguana, chega a uma casa nova precisa de treino e atenção para se adaptar. Pelo menos, é isso que pensa Laurel Peppino da mParticle. “Oferecemos licença de maternidade e paternidade aos nossos funcionários e um animal de estimação também é um novo membro da família”, afirmou em declarações ao Wall Street Journal. “Não discriminamos só porque não são seres humanos”, concluiu.

Este está longe de ser um caso único de uma empresa “amiga dos animais”. A Loftey, também sediada nos Estados Unidos, vai ainda mais longe. Entre os benefícios concedidos inclui seguro para animais, consultas para adoção e até licença em caso de morte do animal de estimação. “Olhamos para isto como se o funcionário tivesse um filho doente em casa”, afirmou também ao Wall Street Journal Ori Goldman, cofundadora da Loftey.

Os direitos concedidos a alguns donos de animais, esbarra na ironia de, dados oficiais, revelarem que nos Estados Unidos, em 2016, apenas 14% da população tinha acesso a licença (paga) por questões familiares (doença, maternidade, paternidade).
Apenas cinco estados norte-americanos – Califórnia, Nova Jersey, Nova Iorque, Rhode Island e Washington -  criaram leis para a existência de licenças pagas.

No final do ano passado, uma italiana contestou uma decisão da empresa onde trabalhava, após faltar dois dias ao trabalho para cuidar do seu cão doente. O salário desses dias foi descontado, mas o tribunal deu-lhe razão.