O mal que levou a conhecida Torre de Pisa a inclinar-se sem cair, desde 1178, é a base aquilo que a leva também a resistir aos sismos, que frequentemente assolam Itália.

Monumento muito visitado, a Torre de Pisa, cidade no noroeste de Itália, tem 58 metros de altura e uma inclinação de cinco graus. Desde 1280, resistiu a, pelo menos, quatro brutais terramotos, algo que tem vindo a intrigar a comunidade científica.

Uma equipa de engenheiros liderada pelo professor Camillo Nuti, da Universidade Roma Tre, terá agora esclarecido o que tem levado a torre, construída para colocar os sinos da catedral de Pisa, a resistir.

Depois de estudar as informações sismológicas, geotécnicas e estruturais disponíveis, a equipa de engenheiros concluiu que a resistência da Torre se deve a um fenómeno conhecido como interação dinâmica entre o solo e a estrutura (DSSI).

Segundo refere a agência Europapress, a considerável altura e rigidez da Torre combinada com a suavidade do solo onde assenta, faz com que as características vibratórias da estrutura sejam substancialmente modificadas. Assim, esta não é afetada com o movimento do terreno, quando este é abalado por um sismo.

Ironicamente, o mesmo solo que causou a instabilidade e inclinação e levou a Torre a quase colapsar tem ajudado a que sobreviva aos abalos sísmicos", refere à Europapress, o professor de engenharia sísmica e geotécnica George Mylonakis, da universidade britânica de Bristol.

Os resultados do estudo sobre a resistência aos sismos da Torre de Pisa começaram a ser divulgados em fóruns internacionais de engenharia. A tese será agora formalmente apresentada na XVI Conferência Europeia sobre Engenharia de Terremotos, a realizar em junho, na Grécia.