Vai mais um copo. E mais outro. E mais os que ninguém sabe quantos foram e Pavel, assim ficou conhecido o estoniano de 30 anos que passava férias nos Alpes italianos, acabou por perder o último transporte para o seu albergue, numa noite do passado fim de semana de 8 e 9 de abril.

O caso que agora vem a público dá conta que Pavel saiu de um bar quando já era noite e se despistou. Melhor dizendo, com as voltas trocadas, fez-se à pista errada: em vez de seguir para o albergue onde estava alojado, vislumbrou uma casa que tomou como sendo o seu alojamento. Só que era o Igloo Ristorante, em Cervinia, a uns 2.400 metros de altitude.

Sem receio, deu corda aos sapatos. Até porque, não tinha esquis, nem botas de montanhismo. Tinha apenas um calçado ligeiro, a chave do quarto e uma vontade decidida de se deitar.

Restaurante fechado

Segundo relata ao jornal El País quem vive na zona, uma pessoa em boa forma física, com roupa e equipamentos apropriados, demora entre hora e meia a duas horas a pé a chegar aquele restaurante. Pavel não tinha nenhum desses predicados, mas, pensa-se, teve a sorte de se meter a caminho - mesmo sendo o errado - sem nunca sair da pista de esqui. E assim foi subindo. E muito.

Não sabemos com que força física ele conseguiu escalar ou que caminho poderia seguir", contou mais tarde a dona do restaurante Igloo, Nicoletta Giordano, ao El País.

A polícia admite que Pavel chegou ao restaurante cerca das duas ou três da manhã. Estava fechado. O turista tinha apenas consigo a chave o seu quarto de hotel, que não era obviamente ali, mas conseguiu, por artes mágicas, abrir a porta daquele estabelecimento.

Entrou. Emborcou duas garrafas de água que encontrou e deixou-se dormir. No primeiro sítio que achou confortável: um banco com almofadas na recepção do restaurante.

Na manhã seguinte, ao abrir o restaurante, os empregados lá deram com o estoniano Pavel. Não se lembrava de nada, segundo contou Nicoletta, a dona do restaurante, e só pedia desculpas, dizendo que não tinha mexido em nada.

Alguns telefonemas foram suficientes para esclarecer a situação. Sem ter dormido no albergue onde estava alojado, fora dado o alerta. Carabinieri e equipas de emergência já se preparavam para começar uma batida à sua procura. Depois dos bombeiros terem, durante toda a noite, procurado o turista com recurso a cães e a drones.

Pavel safou-se. Não foi feita qualquer queixa contra si e teve apenas de pagar uma multa pelos recursos mobilizados na sua procura.

Sabe-se ainda que, no dia seguinte, voltou ao restaurante para agradecer aos proprietários e empregados, oferecendo-lhes mesmo uma garrafa de vinho do seu país. Mas desta vez, não foi a pé. Fez-se deslocar numa cómoda mota de neve.