Nos últimos 26 anos, Pyros, um urso-pardo dos Pirinéus, tem desfrutado da vida como um macho alfa indiscutível, mas agora pode estar prestes a pagar um preço por esse domínio. Após o nascimento de uma cria que é ao mesmo tempo filha e neta de Pyros, cientistas espanhóis declararam que o vigor sexual esmagador do urso é uma ameaça para a sobrevivência da colónia. O animal é pai, avô ou bisavô de quase todas as crias nascidas durante 20 anos e está agora à beira de ser castrado ou segregado.

Os cientistas dizem que há duas possibilidades: ou optam por colocar Pyros em cativeiro ou então têm de castrá-lo. Ainda assim, os cientistas não estão seguros de que a castração seja a solução, já que poderá não neutralizar o comportamento dominante do animal, que impede a procriação de outros machos da colónia.

«Se ele continuar com este vigor sexual e esta atitude dominante durante mais alguns anos, os outros machos nas montanhas não têm hipótese de acasalar com qualquer das fêmeas», afirma ao jornal «La Vanguardia», José Enrique Arró, o vereador que supervisiona questões ambientais no Val d 'Aran.

Os conservacionistas têm trabalhado de forma árdua para reintroduzir a espécie nos Pirenéus, cujo número diminuiu ao ponto de quase extinção no início de 1990.

Os ursos-pardos estão a ser importados da Eslovénia, onde a espécie de «Ursus Arctos» sobreviveu. Atualmente a colónia dos Pirinéus tem apenas quatro outros machos, dos quais apenas um não está relacionado com Pyros.

Há também planos para levar para a colónia dos Pirinéus um novo urso macho da Eslovénia no início de 2015, afirmou Arró.

Uma coisa é certa: para que a população de ursos-pardos possa proliferar nos Pirinéus, é necessário intervir para interromper o comportamento sexual desenfreado de Pyros, afiançam os cientistas.