Um norte-americano de 62 anos fez uma viagem de carro de Phoenix, no Arizona, até Detroit, no Michigan, com o cadáver da namorada de 31 anos no banco da frente do veículo. A mãe de Ray Tomlinson, de 93 anos, também estava no carro. O grupo chegou a Detroit na última segunda-feira.

De acordo com o «The Huffington Post», depois da namorada ter morrido, Tomlinson recusou-se a parar o carro e a contactar as autoridades. O homem estava determinado a voltar para o Michigan, onde mora, e acreditava ter 48 horas para declarar a morte da mulher. O grupo atravessou os Estados Unidos de carro para chegar ao destino, percorrendo uma distância de quase três mil quilómetros.

Por enquanto, Ray Tomlinson não foi acusado de nenhum crime. As autoridades norte-americanas estão à espera do resultado dos exames toxicológicos da autópsia. É possível que a mulher tenha morrido de «overdose» porque, com ela, foi encontrado um frasco vazio de um remédio.

Tomlinson e a mãe passaram o Inverno no Arizona e estavam de regresso ao Michigan, onde moram, com a mulher de 31 anos que, ele afirma que era a namorada.

O homem de 62 anos disse que conheceu a mulher, que era sem-abrigo, em 2013, quando ela esperava que o então namorado saísse da prisão. Ray Tomlinson contou que a ajudou e deixou que ela morasse com ele. Neste Inverno, os dois reencontraram-se e, de acordo com Tomlinson, tornaram-se um casal.

Na terça-feira, a polícia encontrou Ray Tomlinson a chorar dentro da carrinha em que viajavam e a mãe no banco de trás do veículo. O corpo da namorada morta estava no banco da frente do passageiro, com o cinto de segurança e usando óculos escuros.

A viagem de quase três mil quilómetros começou em Phoenix, no Arizona, após a mulher ter recebido alta de um centro médico de distúrbios mentais. No trajeto de volta para casa, ela pode ter exagerado nos remédios e tido uma «overdose». A mulher já tinha um histórico de problemas de abuso de remédios.

O grupo parou em Flagstaff e ela foi à casa de banho. Mais tarde, o namorado foi tentar acordá-la e ela estava gelada. Ray Tomlinson afirmou que fez uma pesquisa na Internet através do telemóvel e leu que, por lei, teria até 48 horas para participar a morte às autoridades.

Enquanto continuavam a viagem, alguém do centro médico do Arizona ligou para o telemóvel da mulher para verificar como ela estava. Ray Tomlinson atendeu a chamada e revelou que a mulher não podia falar porque tinha morrido.

O profissional de saúde disse a Tomlinson que ele devia contar imediatamente à polícia, mas ele não lhe deu ouvidos. O centro médico entrou em contacto com as autoridades, que na terça-feira foram ao encontro de Ray Tomlinson. O homem não foi preso e o caso está sob investigação.

Ray Tomlinson explicou à polícia que lhe pareceu estar a agir de forma lógica. Perante a história, Jere Green, o comissário local de polícia local, afirmou que ficou na dúvida se o ocorrido seria um crime ou uma grande estupidez de Ray Tomlinson.