Conversar de pijama com os colegas de trabalho ou escovar os dentes pela manhã ao lado do chefe é o tipo de intimidade que a maioria das pessoas preferiria evitar. Mas não é o caso do presidente-executivo e fundador da Whole Foods, cadeia norte-americana de supermercados especializada em produtos orgânicos e naturais.

Para John Mackey, escapar das restrições do escritório e passar tempo com os colegas e subordinados em «festas-pijama» versão executiva, num ambiente mais pessoal, é a melhor maneira de construir uma relação de confiança e de melhorar a produtividade.

«Eu sei que isso parece estranho, mas há algo sobre dormir na mesma casa e tomar o pequeno-almoço, ou jantar juntos, que resulta numa relação mais íntima», afirma o empresário em entrevista à BBC News. «Esse nível de interação pessoal», explica Mackey, «faz com que os funcionários não separem a vida profissional da vida pessoal, e permite que eles se relacionem a um nível mais profundo».

Um estudo recente da empresa de pesquisas de opinião Gallup, citado pela BBC, sobre o envolvimento de funcionários no local de trabalho nos Estados Unidos, mostrou que 70% dos entrevistados ou odiavam os empregos ou não se sentiam integrados.

Desde que fundou a Whole Foods, em 1980, com uma loja e 19 funcionários, Mackey diz querer mudar isso. A abordagem de John Mackey realça a importância do envolvimento emocional em criar uma cultura que leve à motivação dos trabalhadores.

A empresa tem agora 80 mil funcionários em 373 lojas nos Estados Unidos, Canadá e Grã-Bretanha, mas John Mackey continua a argumentar que os funcionários precisam de se sentir valorizados e que o trabalho deles é mais do que o salário no fim do mês.

«Se se quer criar uma boa cultura e uma boa companhia, então as pessoas têm de ter aquela sensação de que elas e o seu trabalho importam», refere o empresário. Para passar essa ideia, John Mackey diz que a «liderança atenciosa» é reforçada de cima para baixo, com um esforço consciente para não promover «os idiotas».

Embora seja fácil ser cético quanto à abordagem de John Mackey, os resultados sugerem que ela é eficaz.

No ano fiscal de 2013, a Whole Foods registou as melhores vendas em 35 anos de existência. E nos últimos 17 anos consecutivos, a empresa foi classificada, pela revista «Fortune», como uma das «100 melhores empresas para se trabalhar» nos Estados Unidos.

Parte do que atrai os funcionários é a cultura de consenso que existe na empresa. Mesmo o cargo mais alto é partilhado: John Mackey lidera a empresa ao lado do copresidente executivo Walter Robb.

Essa abordagem espalha-se por toda a empresa, com as lojas a terem o controlo individual sobre os orçamentos e os funcionários com poder de tomar decisões. Mackey diz que essa «descentralização» difere do modelo padrão de empresa corporativa e ajuda a estimular a inovação.